Com investimento de R$ 100 milhões, Governo do Paraná divulga detalhes do futuro complexo náutico de Guaratuba
Na quarta-feira, 22, o Governo do Paraná divulgou imagens do projeto e detalhes do futuro complexo náutico de Guaratuba que ficará localizado nos antigos espaços ocupados pela estrutura do ferry boat. A viabilização do empreendimento que será mais um ponto turístico do litoral do Paraná passa a ocorrer com a inauguração e liberação do trânsito na Ponte de Guaratuba, algo que ocorrerá nos próximos dias.
Segundo a Agência Estadual de Notícias (AEN), o complexo ficará bem ao lado da região central de Guaratuba. “A mudança marca uma nova fase para uma das regiões mais simbólicas de Guaratuba, que por décadas concentrou o fluxo de veículos e passageiros na travessia da baía. Com o avanço da infraestrutura no Litoral, o espaço antes dedicado ao transporte passa a ganhar uma nova função, ampliando o potencial econômico e turístico da cidade”, acrescenta.
“A previsão é que as obras tenham início a partir de 2027 por meio de um contrato de concessão do terreno à iniciativa privada. O prazo de execução é de até cinco anos, mas ele poderá ser antecipado pela futura concessionária a ser contratada. O projeto já vem sendo trabalhado pela Secretaria do Estado do Planejamento (Sepl) há cerca de seis meses. Ele prevê a construção de um complexo com cerca de 12 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de mais de 30 mil metros quadrados – que inclui o atual canteiro de obras da ponte –, com a maior parte destinada ao uso público”, informa o governo estadual.
Marina com centenas de vagas, espaços de convivência, lojas e estrutura para eventos
Segundo o governo estadual, a principal estrutura do empreendimento será a marina, que contará com 303 vagas molhadas (para embarcações atracadas na baía) e 400 vagas secas (para embarcações alocadas internamente). “Também está previsto estacionamento para 208 veículos, espaços de convivência, lazer e serviços, incluindo restaurantes, lojas e estrutura para eventos”, complementa.
“O investimento será de aproximadamente R$ 100 milhões, por meio da cessão do terreno para a instalação do futuro complexo. As obras deverão ser custeadas pela concessionária do espaço, a ser definida via processo licitatório. Também caberá à empresa vencedora a manutenção do local pelo período do contrato, com duração de 30 anos”, detalha a AEN sobre o empreendimento.
Ainda de acordo com o Governo do Paraná, a licitação será feita na modalidade de concorrência pública, o que deve gerar uma economia de R$ 20 milhões para o Estado ao longo das três décadas, segundo os estudos da Sepl, além de garantir maior competitividade entre os interessados. “Após a conclusão do projeto, o processo de concessão e a fiscalização do contrato serão conduzidos pela Secretaria da Infraestrutura e Logística (Seil), já que as áreas do ferry boat pertencem ao Estado e são administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR)”, informa.
“Durante a obra, está prevista a geração de cerca de 1.425 empregos diretos e indiretos, o que deve injetar aproximadamente R$ 100 milhões em salários na economia local. Já na fase de operação, outros 695 postos de trabalho devem ser criados de forma direta e indireta”, informa a AEN.
Ferry boat e desmobilização gradual
Outro ponto destacado é o ferry boat e seu funcionamento, algo que passará por desmobilização do sistema atual será feita de forma gradual, garantindo uma transição segura entre os dois modelos de travessia. De acordo com o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, “a estrutura do ferry boat será mantida temporariamente para assegurar o atendimento à população durante o período de adaptação”, detalha.
“As duas áreas que são ocupadas pelo ferry boat num primeiro momento vão permanecer para que o ferry boat permaneça operacional, até que a gente possa adaptar o movimento em cima da ponte. Finalizada essa parte, vamos ter uma revitalização tanto do lado que dá acesso a Matinhos quanto do lado de Guaratuba”, ressalta Furiatti.
“Do lado de Guaratuba teremos uma marina, área de convívio, espaços reservados ao setor privado e outros abertos ao público. Enfim, uma revitalização completa em ambos os lados da ponte”, afirma o secretário, frisando que a requalificação será completa dos espaços, evitando qualquer tipo de abandono após o fim da operação em Guaratuba.
Concessão e parceria com a iniciativa privada
O governo estadual afirma que o projeto foi estruturado para viabilizar a participação da iniciativa privada, algo que será feito pelo modelo de concessão e integrada uma estratégia de requalificação e atração contínua de investimentos no Paraná. “A modelagem é conduzida pela Secretaria de Estado do Planejamento, por meio do programa de parcerias”, informa.
“Com a construção da ponte, o governo entendeu que o espaço onde hoje funcionava o ferry boat deveria ter uma nova utilidade. A partir daí começamos a planejar um complexo náutico que aproveitasse esse potencial”, afirma o chefe da Unidade Gestora do Programa de Parcerias do Paraná, Luiz Moraes Júnior, destacando que a iniciativa surgiu da necessidade de dar uma nova destinação a uma área estratégica do município.
Ainda segundo Moraes Júnior, a proposta vai além da marina e busca criar um novo ponto de referência no litoral. “Estamos pensando em um espaço que sirva para a comunidade e também para os turistas. Será uma orla pública com ciclovia, pista de caminhada, espaço pet, além de restaurantes, bares e lojas. Um ambiente amplo, como um grande espaço aberto de convivência”, completa.
A estrutura também deve atender a uma demanda antiga da região por infraestrutura náutica. “Hoje há uma procura grande por vagas para embarcações e falta estrutura adequada. O projeto vai permitir que moradores e visitantes utilizem melhor a baía de Guaratuba”, afirmou Moraes Júnior.
“Além do uso turístico e comercial, o complexo prevê espaços públicos e de apoio a serviços essenciais. Estão previstos pontos para atuação do Corpo de Bombeiros, acessos para pescadores e moradores à baía de Guaratuba, além da possibilidade de uso por instituições como a Marinha do Brasil. Também está prevista a implantação de uma área para pequenos eventos públicos e privados, ampliando as possibilidades de uso ao longo do ano”, informa a AEN.
O complexo será um bem público, portanto, terá uma ampla área de livre circulação, reforçando a integração com a cidade e garantindo acesso democrático à nova estrutura, mesmo com a presença de empreendimentos comerciais.
O que vai acontecer a partir de agora
“O projeto já teve suas diretrizes aprovadas e agora avança para a fase externa, com a abertura de consulta pública e a realização de audiência em Guaratuba. A proposta é permitir a participação da população e de investidores interessados, possibilitando ajustes antes da versão final”, afirma o Governo do Paraná.
Segundo a AEN, as contribuições devem ocorrer ao longo de um período de 30 dias, dentro de um cronograma que também prevê sondagem de mercado. “Após essa etapa, o processo ainda passará por autorização legislativa e análise da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), até a publicação do edital de concessão, prevista para outubro de 2026”, complementa.
Ainda segundo o Governo do Paraná, a modelagem contou com estudos apresentados por empresas por meio de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), mecanismo que permite ao setor privado colaborar com levantamentos técnicos, análises de viabilidade e propostas de estruturação. “Agora entramos em uma fase de escuta. Vamos abrir o projeto para contribuições e, a partir disso, consolidar uma versão final mais robusta”, salienta Moraes Júnior.
Impacto positivo no município
A vinda de mais uma obra ampla de infraestrutura é algo visto positivamente pela Prefeitura. De acordo com o prefeito de Guaratuba, Maurício Lense, o complexo representa uma oportunidade de dar uma nova destinação a uma região estratégica que perderá sua função original com a conclusão da ponte. “É uma iniciativa que aproveita uma área que, depois da construção da ponte, ficaria ociosa, porque ali é onde funciona atualmente o canteiro de obras e a estrutura de apoio ao ferry boat. É uma oportunidade de transformar este espaço em algo moderno e funcional”, completa.
Segundo o gestor, a expectativa do município é de que a implantação contribua diretamente na atração de turistas para a cidade. “É de nosso interesse que o comércio local, a rede hoteleira e os serviços em geral sejam movimentados até em épocas de baixa temporada, dessa forma a população terá estabilidade durante o ano todo”, finaliza o prefeito.
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