Polêmica sobre leilão do Silo Público gera protesto e debate na Câmara Municipal de Paranaguá

A fala do diretor da AOCEP gerou reações dentro do plenário. O vereador Luizinho Maranhão discordou das críticas feitas por Hech, o que resultou em vaias por parte dos manifestantes presentes.

fevereiro 26, 2025 - 16:34
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Polêmica sobre leilão do Silo Público gera protesto e debate na Câmara Municipal de Paranaguá

A sessão da Câmara Municipal de Paranaguá desta terça-feira (25) foi marcada por um intenso debate sobre a possível licitação do Silo Público, um terminal histórico da cidade. No início da plenária, a Tribuna Livre foi aberta para que o diretor executivo da AOCEP (Associação dos Operadores Portuários de Paranaguá), Sandro Hech, apresentasse reivindicações da classe. A sessão contou com a presença de trabalhadores do setor, incluindo membros do Sindicato da Movimentação de Mão de Obra.  

Críticas à licitação do Silo Público

Durante sua fala, Sandro Hech fez duras críticas à possibilidade de leilão do Silo Público. Segundo ele, o terminal está sendo fragmentado para uma licitação multimilionária que, na sua visão, beneficiaria apenas multinacionais e fundos de investimento. O diretor executivo alertou que essas empresas poderiam retirar os recursos do país, deixando Paranaguá e seus transportadores locais em desvantagem.  

Hech destacou ainda que o Silo Público atende atualmente todos os transportadores que desejam exportar pelo Porto de Paranaguá. Caso a licitação ocorra, os pequenos e médios exportadores podem perder a garantia de espaço para exportação, o que, segundo ele, prejudicaria o setor e a economia da cidade. Além disso, ele apontou riscos de concorrência desleal com a entrada de grandes corporações no setor.  

Conflito no plenário e protesto dos trabalhadores

A fala do diretor da AOCEP gerou reações dentro do plenário. O vereador Luizinho Maranhão discordou das críticas feitas por Hech, o que resultou em vaias por parte dos manifestantes presentes. Como forma de protesto, os trabalhadores se viraram de costas para o parlamentar e, em seguida, deixaram o plenário. O grupo seguiu para a frente do Palácio Carijó, onde continuou a manifestação contra o leilão do Silo Público.  

Entrevista com Sandro Hech

A Massa FM Litoral conversou com Sandro Hech para entender melhor as reivindicações da AOCEP e os possíveis impactos da licitação do Silo Público.  

1. Qual a reivindicação da AOCEP e qual é a preocupação da entidade com esse processo de arrendamento?

"A preocupação maior é com os pequenos e médios exportadores, a maioria deles sediados no Paraná, que podem perder a garantia de atendimento que o Silo Público oferece. O Silo tem uma história de sucesso e foi essencial para o início da exportação de soja no Brasil. Ele integra operadores portuários e cerealistas exportadores do estado. Essa medida simplesmente descartaria essas atividades, trazendo um impacto direto ao setor."  

2. Qual o papel da Câmara Municipal nesse caso?

"A Câmara Municipal tem o dever de acompanhar, avaliar e intervir caso os impactos da licitação sejam prejudiciais à cidade. Além disso, precisa garantir que as promessas de investimento sejam concretizadas e que a população não seja afetada. A segurança e a tranquilidade da comunidade devem ser prioridades nesse processo."  

3. Quais desdobramentos a AOCEP espera a partir de agora?

"Sugerimos que o Silo Público seja retirado da licitação do PAR-14. O PAR-14 envolve três lotes, sendo o Silo um deles. Nossa proposta é que os outros dois lotes sigam para licitação, mas o Silo Público fique de fora. Não há obrigação legal de incluí-lo no leilão. Se a Autoridade Portuária busca investimentos privados, deve permitir que os operadores locais continuem atuando e contribuindo com esse desenvolvimento, garantindo segurança jurídica para isso."  

4. Qual o posicionamento da AOCEP diante do discurso do vereador Luizinho Maranhão?

"Nos retiramos do plenário após o pronunciamento desse vereador, pois entendemos que ele tem um posicionamento parcial devido ao seu vínculo com a APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina). Seu discurso não tem credibilidade para nós."  

Câmara Municipal se posiciona sobre o tema

Diante da repercussão do caso, a Mesa Diretora da Câmara Municipal divulgou uma nota oficial afirmando que reconhece a urgência e relevância do tema. O documento informa que os parlamentares serão convocados para uma reunião o mais breve possível para discutir o assunto e definir o posicionamento do Legislativo. A prioridade, segundo a nota, será sempre levar em conta os interesses do município e da população.  

Confira a íntegra da nota:

"A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Paranaguá, tendo em vista a urgência e relevância do tema trazido à tribuna da Casa nesta terça-feira, 25, pelo representante da AOCEP - Associação dos Operadores do Corredor de Exportação de Paranaguá ('Potenciais Impactos Sociais, Urbanísticos e Econômicos advindos da iminente Licitação da Construção e Operação do Empreendimento destinado à Movimentação de Armazenagem de Granéis Sólidos Vegetais no Porto de Paranaguá, denominado PAR-14'), informa que irá convocar para a data mais próxima possível uma reunião dos parlamentares para melhor direcionamento das ações do Parlamento, sempre levando em conta os interesses do Município e de sua população, nos mais diversos aspectos."  

Assinam a nota:
- Adalberto Araújo – Presidente  
- Edilson Caetano – Vice-Presidente  
- Irineu Cruz – 1º Secretário  
- Lena da Farmácia – 2ª Secretária  
- Halleson Stieglitz – Secretário Suplente  

A pauta segue sendo debatida no município e deve gerar novos desdobramentos nos próximos dias.

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