Alcolumbre segura PEC do fim da escala 6x1 e condiciona avanço a acordo com o Planalto
Presidente do Senado adia votação para o período pós-eleitoral, queixa-se de ataques governistas nas redes e exige interlocução direta com o presidente Lula para destravar pauta trabalhista.
Brasília— O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu paralisar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Aliados políticos próximos confirmaram que o parlamentar não pretende pautar a matéria antes da realização das eleições municipais. A medida reflete o tensionamento na articulação política e o descontentamento do chefe do Legislativo com o tratamento recebido por parte do governo federal.
Segundo interlocutores, o destravamento da PEC e de outras propostas de grande interesse do Palácio do Planalto depende diretamente de uma audiência presencial entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois líderes não se reúnem formalmente desde a rejeição pelo plenário do Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Com o recesso parlamentar batendo à porta — previsto para iniciar no dia 17 de julho —, senadores já foram avisados de que nenhuma decisão será tomada até lá. Durante o período eleitoral, de agosto a outubro, o Congresso funcionará majoritariamente de forma virtual e sem espaço para temas considerados polêmicos.
A PEC do fim da 6x1 não é o único projeto na "geladeira" do presidente da Casa. Alcolumbre mantém retidos outros temas estratégicos para o Executivo, como a PEC da Segurança Pública, o marco legal dos minerais críticos e a política de incentivos a data centers (Redata).
A postura pública do presidente do Senado tem alternado entre acenos ao setor empresarial e interlocuções com lideranças sindicais. Em encontros privados com empresários, Alcolumbre defendeu que o debate não deve sofrer pressões motivadas pelo calendário das urnas e sugeriu que o texto incorpore a proposta de "jornada flexível" trazida pela oposição, que possibilita o pagamento por hora trabalhada.
Por outro lado, em reunião realizada com centrais sindicais e ministros nesta semana, o senador adotou um tom mais colaborativo e solicitou à consultoria técnica do Senado um estudo para avaliar se é possível extinguir o prazo de transição de 14 meses para a redução da jornada sem que o texto precise retornar para nova votação na Câmara dos Deputados — o que foi lido por sindicalistas como um sinal positivo.
O clima político azedou ainda mais após pronunciamentos de Alcolumbre na tribuna da Casa, nos quais acusou integrantes do governo de orquestrar ataques coordenados contra sua imagem nas redes sociais com o objetivo de pressioná-lo. O estopim foi uma declaração do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que afirmou publicamente que o senador estaria "brincando com fogo" ao represá-la.
Enquanto o setor produtivo vislumbra o adiamento como uma oportunidade técnica para convencer parlamentares dos impactos financeiros sobre as empresas, a base governista pretende utilizar o tema como forte munição retórica na campanha eleitoral. Nos bastidores, estrategistas avaliam que o congelamento da pauta beneficia tanto candidatos de esquerda, que ganham um discurso de apelo popular, quanto o próprio Alcolumbre, que se consolida perante a oposição e a direita como um líder independente das pressões do Planalto — fortalecendo seus planos de recondução ao comando do Senado em 2027.
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