“Bancada Cristã” da Câmara pode custar quase R$ 20 milhões por ano e reacende debate sobre Estado laico
Um levantamento do portal Brasil de Fato mostra que a criação da chamada “bancada cristã” na Câmara dos Deputados poderá gerar um custo de quase R$ 20 milhões anuais aos cofres públicos, apenas com o pagamento de assessores parlamentares. O cálculo considera a estrutura prevista para lideranças partidárias e foi feito com base em resoluções e dados oficiais do Legislativo.
A proposta — que recebeu urgência para votação no plenário após aprovação por 398 votos a 30 — prevê que a nova bancada, composta por parlamentares evangélicos e católicos, tenha uma liderança própria, com direito a voz e voto nas reuniões de líderes. Isso também garante a criação de até 218 cargos de livre nomeação, sem necessidade de concurso público, destinados à contratação de assessores.
O projeto é assinado pelos deputados Gilberto Nascimento (PSD-SP) e Luiz Gastão (PSD-CE), presidentes das frentes parlamentares evangélica e católica. A iniciativa conta com apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.
A medida reacendeu o debate sobre a laicidade do Estado e o uso da fé como instrumento político. Entre os que se posicionaram contra está o pastor e vereador de São Paulo, Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB), que se manifestou nas redes sociais afirmando que transformar a fé em poder político “não é evangelho, é projeto de poder”.
“Privilegiar uma fé dentro do Estado é equivocado, mesmo que seja a minha”, declarou Bezerra. Ele afirmou que o Brasil é um Estado laico e que “quando o Estado institucionaliza uma fé, deixa de proteger todas as fés para privilegiar uma só”.
O parlamentar destacou ainda que a fé deve servir e transformar vidas, não dominar. “A fé cristã não precisa de cadeira cativa no poder. Ela precisa de coerência, de testemunho e de verdade. A política precisa de cristãos que sirvam, não que se sirvam”, afirmou.
A discussão sobre a criação da bancada cristã ocorre em um momento de crescente influência de grupos religiosos na política nacional. Caso o projeto seja aprovado, a nova estrutura passará a ter o mesmo status das lideranças partidárias, com orçamento e equipe próprios.
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