O Porto de Paranaguá e a porta aberta ao crime organizado

Agosto 29, 2025 - 08:39
 0
O Porto de Paranaguá e a porta aberta ao crime organizado

Nos últimos dias, a Operação Carbono Oculto, da Receita Federal e da Polícia Federal, revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC envolvendo postos de combustíveis, fintechs, fundos de investimento e empresas em vários setores. Entre as investigadas aparece a Liquipar Operações Portuárias, que atua no Porto de Paranaguá.

A princípio, poderia parecer apenas mais uma empresa na longa lista de investigadas. Mas, ao analisar sua chegada ao Paraná, surge um enredo grave que passa diretamente pelas decisões do atual presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

O leilão do PAR50 e a venda subsequente

Em fevereiro de 2023, ocorreu o leilão da área PAR50, o Terminal Público de Álcool Anísio Tormena, em Paranaguá. O processo foi alvo de críticas do setor sucroalcooleiro, que investira mais de R$ 150 milhões na estrutura e se viu excluído, sem diálogo, transparência ou indenização.

Naquele leilão, o vencedor foi o Grupo FTS, que arrematou a área por apenas R$ 1 milhão, divididos em quatro parcelas de R$ 250 mil.

Pouco mais de um ano depois, em 2024, esse mesmo ativo foi revendido para a Liquipar por R$ 36 milhões. Ou seja, em tempo recorde, um patrimônio público estratégico serviu de trampolim para um ganho privado de 36 vezes o valor inicial.

A homologação direta pela presidência

Cabe destacar: quem apresentou as empresas, conduziu e homologou o ato foi Luiz Fernando Garcia, presidente da Portos do Paraná. Ele detém delegação de competência para formalizar esse tipo de operação sem necessidade de passar pela ANTAQ.

Isso significa que a entrada da Liquipar no Porto de Paranaguá não foi mero acaso: foi viabilizada e chancelada diretamente pela atual gestão da empresa pública estadual.

Liquipar e o crime organizado

Em junho de 2025, já instalada no terminal, a Liquipar anunciou ao governador Ratinho Junior um plano de R$ 572 milhões em investimentos, em evento oficial promovido pela Portos do Paraná.

Agora, com a deflagração da Operação Carbono Oculto, descobre-se que a empresa faz parte da rede investigada por movimentar recursos ilícitos ligados ao PCC — inclusive utilizando fundos de investimento e ativos portuários para lavar dinheiro.

O que antes era celebrado como um marco de investimentos pode, na prática, ter se transformado em uma das maiores portas de entrada do crime organizado na infraestrutura portuária brasileira.

A responsabilidade de Luiz Fernando Garcia

O erro e o interesse têm nome: Luiz Fernando Garcia, que, na condição de presidente da Portos do Paraná, apresentou, facilitou e homologou a operação que abriu espaço para a Liquipar no Estado.

Não se trata apenas de má gestão ou de descuido. Trata-se de uma decisão ativa, tomada por quem tinha a caneta, para beneficiar uma empresa que, pouco depois, aparece no centro de um escândalo de alcance nacional.

Conclusão

O caso da Liquipar mostra, de forma incontestável, que houve interesse e empenho direto de Luiz Fernando Garcia em trazer a empresa para o Paraná.
    •    Primeiro, permitindo que o Grupo FTS arrematasse o terminal por valor simbólico.
    •    Depois, homologando a revenda para a Liquipar, sem a devida análise da ANTAQ.
    •    Por fim, promovendo a companhia como exemplo de investimento ao lado do governador.

Hoje, a presença da Liquipar no Porto de Paranaguá é um escândalo nacional: a gestão portuária estadual abriu caminho para que o PCC utilizasse um dos principais portos públicos do Brasil como plataforma de negócios.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow