Colégios do Litoral rejeitam modelo cívico-militar e também dizem “não” ao Programa Parceiro da Escola
A consulta pública realizada na última terça-feira (18) definiu os colégios do Litoral do Paraná que poderão adotar o modelo cívico-militar em 2026 e também aqueles que poderiam aderir ao Programa Parceiro da Escola. Entre as decisões, duas escolas rejeitaram o modelo cívico-militar e outras duas recusaram a proposta de parceria com empresas privadas para gestão administrativa.
No caso do modelo cívico-militar, das seis instituições consultadas, duas reprovaram a mudança: o Colégio Estadual Rocha Pombo, de Antonina, e a Escola Estadual Anibal Khury, de Guaratuba. As demais aprovaram a adoção do formato para 2026. Em Paranaguá, três colégios votaram favoravelmente: José Bonifácio, Zilah dos Santos Batista e Vidal Vanhoni. Em Pontal do Paraná, o Maria Helena Luciano também aprovou a proposta.
A votação envolveu estudantes maiores de 18 anos ou seus responsáveis, além de professores e funcionários. No José Bonifácio, 79% foram favoráveis. No Maria Helena, o índice foi de 87%. Já no Vidal Vanhoni, 56% aprovaram o novo formato. No Zilah, a decisão foi apertada, com 51% favoráveis. Entre os contrários, o Rocha Pombo teve apenas 45% de aprovação à mudança, e a Anibal Khury registrou 36%.
Paralelamente à votação do modelo cívico-militar, a comunidade escolar também avaliou a possibilidade de adesão ao Programa Parceiro da Escola, que prevê que empresas assumam serviços como manutenção predial, segurança, limpeza e administração financeira das instituições. No Litoral, dois colégios foram consultados e ambos rejeitaram o programa: o Colégio Estadual Professora Regina Mary Barroso de Mello, em Paranaguá, e o Colégio Estadual Professora Sully da Rosa Vilarinho, em Pontal do Paraná.
Apesar de o programa ser defendido pela Secretaria de Estado da Educação como uma forma de “liberar diretores para focar na área pedagógica”, ele tem sido alvo de críticas. Entre especialistas, entidades e integrantes da comunidade escolar, há receio de que a terceirização administrativa enfraqueça o caráter público das escolas, reduza sua autonomia interna e transfira decisões estratégicas a empresas privadas. O Ministério Público e o Tribunal de Contas já manifestaram dúvidas sobre a transparência do modelo e os impactos jurídicos da terceirização em larga escala. Pesquisadores também alertam para o risco de aproximar a educação pública de uma lógica de gestão empresarial, que pode priorizar eficiência operacional em detrimento do projeto pedagógico.
Com o encerramento da consulta, as escolas que aprovaram o modelo cívico-militar iniciam preparação para a implementação em 2026. Já a rejeição ao Parceiro da Escola no Litoral reforça um movimento local de resistência à proposta e mantém a gestão administrativa integralmente sob responsabilidade do poder público.
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