Com balanças desativadas, aumentam os riscos de acidentes com caminhões na BR-277, alerta especialista

Maio 29, 2025 - 09:38
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Com balanças desativadas, aumentam os riscos de acidentes com caminhões na BR-277, alerta especialista

Na última semana, uma série de sinistros de trânsito voltou a evidenciar os riscos constantes enfrentados por motoristas que trafegam pela BR-277, rodovia que liga o Litoral à capital do Estado, Curitiba. Um dos principais pontos de atenção, segundo especialistas, é a ausência de fiscalização de peso dos caminhões — consequência direta da desativação das balanças que antes operavam em trechos estratégicos da via.

Na terça-feira (20), um grave sinistro interditou a rodovia por 10 horas após um caminhão graneleiro carregado com soja colidir na traseira de um caminhão-tanque que transportava etanol. O acidente, causado por uma possível falha nos freios do veículo que descia a serra, ocorreu por volta das 5h no km 39 e gerou um congestionamento de mais de 23 km em ambos os sentidos. Na mesma noite, outro sinistro com carretas ocorreu no mesmo trecho.

Já na sexta-feira (23), um novo susto: no km 8, um caminhão teve a cabine destruída por um incêndio. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também investiga a possibilidade de falha mecânica nesse caso.

Desde fevereiro de 2024, a BR-277 está sob a concessão da EPR Litoral Pioneiro. No entanto, durante os dois anos em que esteve sob responsabilidade do Governo do Paraná, tanto as praças de pedágio quanto as balanças foram desativadas. Em março de 2024, o pedágio foi reativado, mas as balanças — localizadas nos km 62,3 em São José dos Pinhais e km 30 em Morretes — seguem abandonadas.

Para o especialista em trânsito Bruno Abner, a ausência dessas estruturas é um risco direto à segurança viária. Segundo ele, os equipamentos são essenciais para detectar o excesso de peso nos caminhões, fator que compromete seriamente o sistema de frenagem, especialmente em trechos de serra.

“Quanto maior o peso da carga, maior o tempo e a distância de parada. Então, o excesso de peso é determinante para colisões em serra. Quando o motorista está com muito peso e não tem a devida experiência, aciona demais o chamado freio de serviço, as lonas esquentam e muitos veículos ficam sem freio”, alerta Bruno. “Se há excesso de peso, o motorista tenta controlar o veículo com o freio de serviço sem usar o freio motor, o que pode não funcionar. Se não houver uma área de escape por perto, pode causar uma tragédia.”

A área de escape do km 36, em Morretes, foi reativada recentemente pela concessionária, e uma nova estrutura está prevista para o km 46. Apesar disso, Bruno ressalta que a prevenção ainda é a melhor estratégia: “Com balanças desativadas, muitos caminhões seguem viagem acima do limite, colocando em risco não só o motorista, mas todos que trafegam pela rodovia.”

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), trafegar com excesso de peso é infração média, com multa proporcional ao excesso e retenção do veículo até que a carga excedente seja transbordada.

“Quando um veículo de carga é flagrado com excesso de peso, além de ser autuado, ele fica retido e só sai de lá quando fizer o devido transbordo da carga. Às vezes, para outro veículo, ou remanejando para eixos que não estejam com sobrepeso. Mas, independente do transbordo, ele é multado”, completa Bruno Abner.

A crescente utilização do termo “sinistro de trânsito” no lugar de “acidente” não é apenas uma mudança de vocabulário. Trazida pela Lei 14.599/23, a alteração no Código de Trânsito busca reforçar a ideia de que grande parte desses eventos é evitável, e que a negligência, imprudência e falhas de fiscalização têm papel determinante nas ocorrências.

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