Denúncias envolvendo escolas cívico-militares no Paraná incluem investigações por assédio e conduta inadequada

fevereiro 16, 2026 - 06:53
fevereiro 18, 2026 - 06:58
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Denúncias envolvendo escolas cívico-militares no Paraná incluem investigações por assédio e conduta inadequada

Relatos de supostas irregularidades em escolas cívico-militares têm sido registrados no Paraná e envolvem denúncias de assédio, abuso de autoridade e condutas consideradas inadequadas no ambiente escolar. O estado, que possui centenas de unidades nesse modelo de ensino, tornou-se foco de questionamentos após a divulgação de casos por veículos de imprensa e entidades representativas da área da educação.

Uma das ocorrências foi revelada em reportagem da BBC, que trouxe denúncias de um grupo de estudantes, com idades entre 11 e 13 anos, contra um policial militar que atuava em um colégio cívico-militar em Cornélio Procópio. Segundo os relatos, teriam ocorrido toques inadequados em diferentes datas ao longo de 2023. O caso foi registrado na polícia e posteriormente analisado por órgãos administrativos. O profissional permaneceu em atividade até ser desligado pela Secretaria de Estado da Educação em 2025.

Dados sobre o número total de investigações em andamento não foram detalhados publicamente. Informações oficiais indicam que ao menos 14 militares foram expulsos ou afastados de funções em escolas após processos administrativos relacionados a comportamentos considerados graves.

Outras situações foram divulgadas pela APP-Sindicato, que representa professores e funcionários da rede estadual. Entre elas, a entidade apontou denúncias de assédio sexual envolvendo uma estudante durante uma atividade extracurricular realizada em Curitiba, além de questionamentos sobre a forma como o caso teria sido conduzido internamente à época.

Também foram relatados episódios de conflitos disciplinares e de violência no entorno escolar, incluindo uma ocorrência registrada em 2024 em que dois estudantes teriam sido agredidos por um adulto em frente a uma unidade de ensino. As circunstâncias e responsabilidades foram objeto de apuração pelas autoridades competentes.

Há ainda registros de reclamações relacionadas a regras de apresentação pessoal e disciplina, com pais e alunos relatando constrangimentos por conta de vestimentas, acessórios e aparência. Essas situações têm sido debatidas por educadores e especialistas, que discutem os limites entre normas escolares, direitos individuais e práticas pedagógicas.

O modelo cívico-militar foi ampliado no estado durante a gestão do governador Ratinho Júnior, com a proposta de reforçar a disciplina e melhorar indicadores educacionais. Ao mesmo tempo, entidades da área educacional defendem maior transparência nas apurações e acompanhamento contínuo das práticas adotadas nas unidades.

Os casos citados seguem sob análise de órgãos administrativos e de controle, e não há decisão judicial definitiva sobre parte das denúncias. O tema permanece em debate público, envolvendo governo, profissionais da educação, famílias e especialistas sobre os impactos e a condução do modelo nas escolas da rede estadual.

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