Deputados bolsonaristas insultam servidores durante votação de reajuste na Câmara de São Paulo
A votação do reajuste salarial de 2,6% para servidores municipais de São Paulo, aprovada em primeiro turno na última quarta-feira (22), foi marcada por cenas de hostilidade e insultos por parte de vereadores bolsonaristas contra professores e servidores que acompanhavam a sessão.
Em meio a protestos na Câmara, a vereadora Zoe Martinez (PL) chamou os servidores presentes de "vagabundos", durante a discussão do projeto do Executivo. Zoe foi repreendida e obrigada a retirar suas palavras, mas já responde a uma representação no Ministério Público, protocolada pela deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP), justamente pelas ofensas dirigidas a professores que protestavam no local.
Outro episódio de ataque partiu do vereador Lucas Pavanato (PL), que, em fala na tribuna, classificou a greve dos servidores como "vagabundagem". A declaração provocou forte reação do público na galeria, com vaias e gritos. Diante da tensão, o presidente da Câmara, Ricardo Teixeira (União Brasil), ameaçou esvaziar a tribuna para conter o tumulto.
A sessão, que deveria se concentrar na votação do projeto de reajuste — considerado insuficiente pelos servidores, que reivindicam 12,9% — acabou tomada pelo desrespeito e pela criminalização da mobilização de trabalhadores do setor público.
A oposição criticou duramente não apenas o valor do reajuste, que será pago em duas etapas e ficará abaixo da inflação, mas também a postura agressiva dos parlamentares da base governista. A vereadora Keit Lima (PSOL) cobrou respeito aos trabalhadores após nova provocação, desta vez da vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), que também se opôs à greve dos professores.
O projeto, que ainda precisa ser aprovado em segundo turno antes de seguir para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), já se tornou símbolo da falta de diálogo e da hostilidade enfrentada pelos servidores públicos no atual cenário político da capital paulista.
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