Epidemia de acidentes na Ayrton Senna expõe negligência da EPR Litoral

Julho 24, 2025 - 09:12
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Epidemia de acidentes na Ayrton Senna expõe negligência da EPR Litoral

Mais uma vida foi perdida em um grave acidente na Avenida Ayrton Senna da Silva, em Paranaguá. Na noite de terça-feira (22), o motociclista Erick Alexandre de Campos Bottan, de 43 anos, morreu após colidir com um caminhão durante uma manobra de conversão na via, em um trecho próximo à fábrica de artefatos da prefeitura. A tragédia reacende um debate urgente: até quando as autoridades e empresas responsáveis vão ignorar a crescente onda de acidentes fatais na região?

Segundo testemunhas, o trânsito estava sendo parcialmente bloqueado no momento do acidente para permitir a conversão de caminhões em direção a um posto de combustível. Erick trafegava com sua motocicleta pelo corredor quando colidiu com a mureta central e, em seguida, foi atropelado. Ele morreu na hora. A cena, infelizmente, não é isolada — nos últimos meses, vários motociclistas perderam a vida na mesma avenida, uma das principais rotas de escoamento da atividade portuária no estado.

Apesar do número crescente de acidentes, a EPR Litoral Pioneiro, concessionária responsável pela via, segue sem apresentar respostas concretas. Os investimentos prometidos em contrato de concessão, previstos na licitação, ainda devem demorar anos para chegar ao trecho urbano da Ayrton Senna. Até lá, a população de Paranaguá continua exposta a riscos cotidianos em uma via sem infraestrutura adequada, com sinalização insuficiente e planejamento de tráfego deficiente.

A situação também evidencia a omissão da Portos do Paraná. A empresa pública estadual, que é uma das maiores beneficiadas pelo fluxo intenso de caminhões na região, prometeu obras de compensação viária no município. Viadutos e melhorias em trechos críticos que poderiam aliviar o tráfego urbano e evitar acidentes graves chegaram a ser anunciados. Mas, até o momento, nada saiu do papel. Em contrapartida, a obra do Moegão — estrutura voltada à melhoria do escoamento de carga e que impacta diretamente a arrecadação da Portos — avança a passos largos, sem atrasos.

É evidente que falta um olhar mais humano e responsável das empresas envolvidas. Paranaguá vive uma verdadeira epidemia de acidentes, especialmente envolvendo motociclistas na Ayrton Senna, e não há como tratar esses episódios como fatalidades isoladas. É preciso que a EPR Litoral Pioneiro entenda com urgência as causas desses acidentes e proponha soluções eficazes. Também é papel da Portos do Paraná assumir a sua cota de responsabilidade, uma vez que grande parte da movimentação na via está diretamente ligada às atividades portuárias.

A população já paga o preço mais alto: o da vida. E não é possível aceitar que investimentos fiquem apenas no papel enquanto famílias choram por perdas evitáveis. A cidade mais antiga do Paraná merece respeito, compromisso e ações imediatas.

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