Ineficiência ou propaganda? Concessionária EPR Litoral Pioneiro acumula críticas em meio a falhas recorrentes de infraestrutura
Apesar da recente liberação da BR-277 no km 43, em Morretes, após uma queda de barreira que interditou parcialmente a pista por mais de dois dias, a EPR Litoral Pioneiro segue no centro das críticas pela má gestão da infraestrutura rodoviária sob sua responsabilidade. A concessionária, que assumiu o lote com a promessa de melhorias, enfrenta crescente insatisfação da população do litoral paranaense diante da recorrência de problemas nas vias e da lentidão em oferecer soluções duradouras.
A queda de mais de 3 mil toneladas de sedimentos sobre a rodovia, ocorrida na madrugada da última terça-feira (10), é apenas mais um episódio que escancara a fragilidade estrutural das estradas e a falta de investimentos preventivos. Embora a empresa tenha anunciado a liberação total da pista sentido Litoral nesta quinta-feira (12), com destaque para a "atuação ágil" de suas equipes, o episódio levanta questionamentos sobre o monitoramento e a prevenção em trechos historicamente críticos da BR-277.
A própria EPR reconhece que o deslizamento teve origem fora da faixa de domínio da concessionária. No entanto, especialistas e usuários das rodovias questionam: se há riscos evidentes nas encostas que margeiam as rodovias, por que não há um sistema de monitoramento eficiente? Por que ações preventivas não estão sendo priorizadas em áreas sabidamente vulneráveis?
Enquanto a empresa destaca o volume impressionante de material removido — o equivalente a mais de 200 viagens de caminhão — motoristas lembram que a via passou boa parte dos últimos meses marcada por buracos, sinalização precária e trechos com iluminação ineficiente, especialmente na PR-407, PR-508 e até mesmo em pontos da BR-277.
O discurso oficial contrasta com a realidade de quem precisa enfrentar as estradas diariamente: obras mal sinalizadas, atrasos em intervenções prometidas e medidas paliativas que não resolvem o problema estrutural. Para muitos, a EPR tem se limitado a apagar incêndios, enquanto as promessas de modernização e segurança viária continuam no papel.
A liberação do km 43 não deve ser celebrada como um feito isolado, mas vista como um alerta para a necessidade de atuação mais estratégica, preventiva e transparente. A população não pode depender da sorte ou da boa vontade da concessionária toda vez que a chuva cai ou que o solo cede.
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