Lula não se comportará como Bolsonaro, abanando o rabo e dizendo ‘I love you’ a Trump, diz Haddad

Julho 30, 2025 - 10:56
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Lula não se comportará como Bolsonaro, abanando o rabo e dizendo ‘I love you’ a Trump, diz Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 29, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai passar por uma humilhação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o ministro, Lula está disposto a conversar com Trump sobre o tarifaço de 50% imposto ao Brasil.

“Estamos procurando os canais para trazer para a racionalidade”, disse Haddad, em entrevista à CNN Brasil. “Agora, isso tem de ter um protocolo. Você não vai querer que o presidente Lula se comporte como o Bolsonaro se comportava, abanando o rabo, falando ‘I love you’ e batendo continência. O presidente Lula tem outro tipo de perfil”.

“Se houver uma reunião entre os presidentes, um telefonema entre os presidentes, nós temos de ter a segurança que não vai acontecer com o presidente Lula o que aconteceu com o Zelensky (Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrânia), que passou um papelão na Casa Branca.”

O ministro afirmou que o Brasil tem condições de “não fazer do dia 1º de agosto um dia fatídico”, em referência ao início da vigência do tarifaço, nesta sexta-feira, 1º. “Nós vamos continuar negociando, os canais estão sendo desobstruídos; vagarosamente, mas estão”, disse Haddad em entrevista à CNN Brasil.

O ministro afirmou que, desde a data do anúncio, está trabalhando em medidas econômicas para o “plano de contingência”, mas repetiu que não vai antecipá-las. Segundo Haddad, não há clareza das ações que o governo americano vai tomar a partir do dia 1º, nem mesmo do secretário de Estado dos EUA. Lula vai esperar o início da vigência do tarifaço, previsto para sexta-feira, para bater o martelo sobre as medidas.

“Você começa a ver que nem da parte deles há total clareza. Então, como é que eu vou anunciar uma medida hoje de um ato que eu desconheço e que eles desconhecem? Não está claro para nós o que vai ser”, disse Haddad.

O ministro repetiu que Lula vai decidir entre um cardápio de diferentes medidas para o plano de contingência. “Tem desde coisas estruturais até coisas de curto prazo, que é, por exemplo, o socorro a empresas que sejam duramente afetadas e não tenham condições de enfrentar esse desafio que está sendo imposto ao Brasil”, disse.

Um socorro às empresas poderia ocorrer via concessão de crédito a juros baixos e com prazo de carência. Isso já ocorreu após a tragédia do Rio Grande do Sul em 2024, explicou Haddad. As empresas brasileiras provavelmente terão de se adaptar e abrir novos mercados, mas não poderão fazê-lo no curtíssimo prazo, disse. “Nós estamos procurando apresentar um cardápio para o presidente que possa ser utilizado de acordo com a necessidade de cada setor”, reforçou o ministro.

Ele explicou que os quatro ministérios que trabalham mais de perto em relação às medidas são Fazenda, Casa Civil, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Relações Exteriores. No entanto, disse que outras pastas, como a Agricultura, também participaram.

Haddad disse que várias medidas estudadas pelo governo vão depender de aval do Congresso. Ele avaliou que o Legislativo deve dar anuência a essas ações. “Eu entendo que o Congresso não vai se furtar a atender esses setores que estão sendo afligidos por essas medidas”, disse Haddad. “Seria estranho até que um apoio às empresas afetadas não fosse considerado com generosidade pelo Congresso Nacional.”

Haddad descartou nesta terça-feira a possibilidade de o governo federal retaliar os Estados Unidos com tarifas próprias. No dia 9 de julho, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a cobrança de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

“Assim como eu estou dizendo que o governo Trump pode estar dando um tiro no pé, encarecendo produtos brasileiros que estão na mesa do americano, nós não podemos cometer o erro simétrico, que seria encarecer aquilo que concorre para melhorar a produtividade da nossa economia, baixar custos, etc”, disse Haddad.

O ministro negou que as medidas em estudo pelo governo brasileiro sejam algum tipo de retaliação. Trata-se, na verdade, de “reações de proteção”, ele argumentou. Segundo o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou satisfeito com as medidas, porque dão a ele graus de liberdade para decidir.

Segundo Haddad, todas as medidas respeitam regras internacionais e a Organização Mundial do Comércio (OMC), por exemplo. Ele disse que Lula vai saber conduzir esse processo com sobriedade, sem bravata ou submissão, e vai dar a resposta com altivez e soberania. Ele destacou que o estilo do presidente americano Donald Trump é difícil para o mundo todo.

Haddad disse que todo o mundo está “pisando em ovos” para saber o que o governo dos Estados Unidos quer. Ele afirmou que é preciso compreender isso para chegar a qualquer proposta de negociação em relação à política comercial.

O ministro disse que não foi o Brasil que criou um problema com os EUA que tenha levado ao anúncio das tarifas de 50%. Ele afirmou que o governo americano “virou a mesa”, lembrando que, durante o governo Biden, teve “inúmeras conversas” com a então secretária do Tesouro, Janet Yellen, buscando parceria com os EUA.

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