Manifestantes protestam contra feminicídio em atos pelo país
Milhares de pessoas participaram, neste domingo (7), de manifestações realizadas em diversas cidades do Brasil contra o crescimento dos casos de feminicídio e outras formas de violência contra as mulheres. Os atos, organizados pelo Levante Mulheres Vivas, ocorreram em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal.
A mobilização foi convocada após uma sequência de feminicídios que ganhou grande repercussão nacional. Em 2025, o Brasil já havia registrado mais de mil casos. Entre os episódios mais recentes estava o assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, morta por um soldado dentro de um quartel, na sexta-feira (5).
Em São Paulo, os manifestantes se reuniram em frente ao Masp, na Avenida Paulista, com faixas, cartazes e palavras de ordem. A maioria era formada por mulheres, mas muitos homens e crianças também participaram. Durante o ato, a ativista Lívia La Gatto discursou e agradeceu a presença masculina. Em seguida, Priscila Magrin, mãe de Nicolly — adolescente de 15 anos assassinada e esquartejada — falou ao público e emocionou os presentes ao relatar o caso da filha, morta pelo namorado e pela ex-namorada dele, ambos menores.
A capital paulista registrou 53 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica, superando os 51 casos contabilizados em 2024. Estudo do Instituto Sou da Paz apontou que 1 em cada 4 feminicídios consumados no estado ocorreu na cidade. Nos dez primeiros meses de 2025, houve aumento de 23% em relação ao mesmo período de 2024. Comparado a 2023, o crescimento foi de 71%. A maioria das vítimas é morta dentro de casa, com armas brancas ou objetos contundentes.
No Rio de Janeiro, centenas de pessoas se reuniram no Posto 5, em Copacabana, exibindo faixas contra a violência de gênero. Segundo o Instituto de Segurança Pública, até novembro o estado registrou 79 feminicídios e 242 tentativas.
Em Curitiba, o Movimento Mulheres Vivas levou grande público ao Largo da Ordem na manhã de domingo. A concentração começou na Praça João Cândido e seguiu em caminhada pelo Centro Histórico. O ato fez parte da mobilização nacional e reforçou a denúncia sobre o avanço da violência contra mulheres em todo o país.
Durante o protesto, manifestantes relembraram casos recentes que causaram comoção. Entre eles, a morte da cabo Maria de Lourdes Freire Matos, encontrada carbonizada em Brasília, após o soldado Kelvin Barros da Silva confessar o crime. Outro episódio citado foi o de Tainara Souza Santos, que teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro em novembro; o motorista foi preso por tentativa de feminicídio. Também foi lembrado o caso das duas funcionárias do Cefet-RJ, mortas a tiros por um colega de trabalho que, em seguida, cometeu suicídio.
Os atos reforçaram o apelo por políticas públicas, proteção às vítimas e justiça diante do avanço contínuo da violência que atinge mulheres em todas as regiões do país.
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