Nova NR-1 amplia responsabilidade das empresas com a saúde mental dos trabalhadores

Julho 15, 2026 - 10:23
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Nova NR-1 amplia responsabilidade das empresas com a saúde mental dos trabalhadores

Em vigor desde 26 de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1) exige que as empresas passem a identificar, avaliar e gerenciar também os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A medida amplia o foco da prevenção e coloca a saúde mental como parte da estratégia de gestão das organizações.
A atualização da Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1) representa uma das mais importantes mudanças na legislação de Segurança e Saúde no Trabalho dos últimos anos. Com a entrada em vigor das novas exigências, as empresas passaram a ter a obrigação de incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), tornando a saúde mental dos trabalhadores uma responsabilidade formal da gestão.
Segundo a consultora de Recursos Humanos, especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e treinadora de líderes e equipes, Katia Sezerino, a norma não deve ser encarada apenas como uma obrigação legal, mas como uma oportunidade para transformar o ambiente corporativo.
“A NR-1 é a norma regulamentadora dos riscos ocupacionais e existe desde 1978. Em 2024 houve uma grande mudança: além dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, os riscos psicossociais passaram a fazer parte do gerenciamento de riscos ocupacionais”, explicou.

Quais são os riscos psicossociais?
A especialista destaca que as empresas precisam identificar fatores internos que podem comprometer a saúde emocional dos colaboradores. “Hoje as empresas são obrigadas a levantar dentro do ambiente de trabalho questões relacionadas à saúde mental, como estresse, excesso de carga de trabalho, conflitos, falhas de comunicação e lideranças despreparadas. Tudo isso faz parte dos riscos psicossociais que agora integram o GRO”, destacou.

Ela ressalta que a preocupação com a saúde mental deixou de ser apenas uma questão individual para se tornar um tema estratégico dentro das organizações. “Nos últimos anos percebemos um aumento significativo dos afastamentos por doenças mentais. Somente em 2025 foram mais de 500 mil casos relacionados à ansiedade, depressão e burnout. Isso deixou de ser um problema individual e passou a ser uma preocupação coletiva”.

Ambiente saudável gera melhores resultados
Para Katia Sezerino, cuidar da saúde emocional dos colaboradores traz benefícios diretos para os resultados das empresas. “A partir do momento em que tenho um ambiente de trabalho saudável, consequentemente tenho pessoas mais motivadas, mais felizes e que produzem melhor. Os resultados da empresa naturalmente aumentam”, disse.
Ela destaca que organizações marcadas por assédio, excesso de pressão e ambientes tóxicos enfrentam consequências como queda de produtividade, aumento do absenteísmo e maior rotatividade de profissionais. “Quando as pessoas sofrem assédio, trabalham sob pressão constante ou convivem em ambientes tóxicos, elas adoecem, precisam se afastar e isso impacta diretamente nas entregas e nos resultados da empresa”.

Adequação exige diagnóstico e planejamento
A implementação da nova NR-1 vai além da elaboração de documentos. Segundo a especialista, é necessário que as empresas promovam um diagnóstico completo da realidade organizacional.
Entre as principais medidas estão: identificação dos riscos psicossociais em cada setor; atualização do Programa de Gerenciamento de Riscos (GRO); capacitação das lideranças em inteligência emocional e comunicação; criação de canais seguros de escuta e acolhimento dos colaboradores; desenvolvimento de planos de ação para prevenção e acompanhamento contínuo.
“O maior risco é não deixar de aplicar uma pesquisa. O maior risco é identificar um problema e não fazer nada para resolvê-lo”, disse a especialista.

Liderança preparada faz a diferença
Na avaliação de Katia, um dos principais diferenciais da nova norma está no fortalecimento da liderança como ferramenta de prevenção. “A NR-1 traz uma grande oportunidade para empresas e gestores de RH. Ela permite que deixemos de trabalhar apenas em cima do problema para atuar de forma preventiva”.
Segundo ela, investir no desenvolvimento emocional dos gestores contribui para ambientes mais equilibrados. “Quando você desenvolve inteligência emocional, comunicação assertiva, gerenciamento de conflitos e equilíbrio emocional nos líderes, essas pessoas evoluem. E quando o maior patrimônio da empresa evolui, tudo ao redor muda: o clima, os relacionamentos, os resultados e, principalmente, a saúde das equipes”.

Benefícios vão além da obrigação legal
Além de evitar passivos trabalhistas e possíveis autuações, a adoção das medidas previstas na NR-1 pode reduzir afastamentos, diminuir custos previdenciários, fortalecer a marca empregadora e aumentar a retenção de talentos. A legislação também abre caminho para que empresas possam buscar o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, previsto na Lei nº 14.831/2024, fortalecendo sua imagem perante colaboradores, clientes e parceiros.

Primeiro passo é agir agora
Para Katia Sezerino, o momento exige que as empresas façam uma análise honesta da própria cultura organizacional. “Olhem para dentro das suas empresas. Façam esse levantamento, esse diagnóstico e ajam de forma preventiva. Cuidar das pessoas, que são o maior patrimônio da organização, significa elevar os resultados da empresa”, frisou.
Ela concluiu afirmando que a nova NR-1 não deve ser vista como mais uma burocracia. “Responder com seriedade às perguntas sobre os riscos psicossociais existentes, preparar as lideranças e criar ambientes onde as pessoas possam falar quando não estão bem é o primeiro passo para construir organizações mais saudáveis, produtivas e humanas”, finalizou.

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