PF abre mais um inquérito contra o bolsonarista Ricardo Arruda
O deputado estadual Ricardo Arruda (PL) será alvo de mais um inquérito na Polícia Federal (PF). Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral, a PF deverá abrir um inquérito para apurar a possível prática de violência política contra a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmen Lúcia e deputadas estaduais em sessão de setembro do ano passado na Assembleia Legislativa.
Ao defender Jair Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe de Estado, Arruda citou o voto do ministro do STF Luiz Fux, que defendeu a absolvição do ex-presidente e outros cinco réus, e disse que Fux “desmascarou o Alexandre de Moraes, desmascarou a bruxa da Carmen Lúcia”. Após a reação da bancada feminina, o bolsonarista voltou à tribuna e pediu perdão “às bruxas que ficaram ofendidas”, o que só piorou a situação.
A denúncia ao Ministério Público Eleitoral foi feito pela bancada feminina na Assembleia, presidida pela deputada Mabel Canto (PP). Além dela, Cristina Silvestri (PP), Luciana Rafagnin (PT), Ana Júlia Ribeiro (PT). Luiz Cláudio Romanelli (PSD) e o presidente da Assembleia, Alexandre Curi (PSD), também repreenderam Arruda.
Em nota (leia abaixo), Arruda afirmou que em nenhum momento praticou atos de violência política de gênero e que suas manifestações tiveram caráter estritamente político e institucional, direcionadas a decisões e posicionamentos de integrantes do Supremo Tribunal Federal, entre eles a ministra Cármen Lúcia.
O deputado do PL é alvo de outro inquérito no PF, por supostamente ter praticado violência política de gênero contra Ana Júlia Ribeiro. Em abril do ano passado, a deputada pediu a substituição de Arruda da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por três faltas consecutivas, nos dias 18 e 25 de março e 2 de abril. O bolsonarista criticou então as roupas da parlamentar e apresentou um atestado assinado por um dentista, 40 dias depois da primeira falta. Ele foi mantido na CCJ.
No dia 12 de maio, Arruda disse, durante sessão da Assembleia, que Ana Júlia tinha "problema cognitivo" e "deu piti". "A deputada Ana Júlia não tem trabalho, ela brinca de ser parlamentar”. Segundo ele, seu pedido de afastamento da CCJ foi apresentado “por uma pessoa que tem problema cognitivo”.
Em março de 2025, Ricardo Arruda foi condenado por ofender a ministra Gleisi Hoffman. Ele ainda é réu por associação criminosa, desvio de dinheiro e tráfico de influência, suspeito de usar sua influência política para reintegrar policiais militares afastados por cometerem irregularidades.
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