População se mobiliza, ajuda ONG a quitar dívida e reacende debate sobre repasse de recursos em Paranaguá

fevereiro 23, 2026 - 08:26
fevereiro 24, 2026 - 08:29
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População se mobiliza, ajuda ONG a quitar dívida e reacende debate sobre repasse de recursos em Paranaguá

A comunidade de Paranaguá se mobilizou no último sábado (21) para ajudar a Focinhos Carentes a superar uma crise financeira que ameaçava interromper suas atividades. Ao final da noite, a presidente da instituição, Camila Cabral, anunciou nas redes sociais que a arrecadação coletiva alcançou o valor necessário para quitar uma dívida superior a R$ 30 mil, acumulada com atendimentos veterinários e compra de medicamentos destinados a animais resgatados das ruas.

Segundo a organização, o débito vinha sendo acumulado desde o início do ano e colocava em risco a continuidade do trabalho realizado com animais abandonados. A campanha ganhou força principalmente nas redes sociais, permitindo que moradores contribuíssem financeiramente e garantissem a manutenção dos atendimentos considerados essenciais.

A entidade atualmente mantém sob sua tutela mais de 200 animais, entre cães, gatos e outros de pequeno porte, além de contar com dezenas de voluntários que atuam como lares temporários, acolhendo os animais durante tratamentos médicos e processos de recuperação. A presidente agradeceu o apoio recebido e destacou que a participação popular foi decisiva para a continuidade das ações.

Apesar do alívio financeiro momentâneo, a situação também gerou debate público sobre o repasse de recursos destinados à instituição. A ONG afirma que correu o risco de encerrar as atividades devido à dívida e à falta de acesso a uma verba já prevista por meio de emenda parlamentar.

De acordo com a entidade, em 2024 foi destinado o valor de R$ 200 mil pelo deputado federal Delegado Matheus Laiola, mas o recurso foi transferido para a Prefeitura de Paranaguá e não chegou à organização. A administração municipal argumenta que houve mudanças na legislação que impediriam o repasse direto, enquanto a ONG sustenta que outras instituições teriam recebido recursos semelhantes em situações equivalentes, o que, segundo a direção, compromete o andamento do projeto Cuidando de Vidas, Protegendo Focinhos.

O parlamentar atribui o impasse à gestão municipal e declarou que a emenda foi corretamente destinada, afirmando que repasses do mesmo tipo ocorreram em outras cidades do Paraná, como Curitiba, Pato Branco, Francisco Beltrão e Marechal Cândido Rondon, onde, segundo ele, não houve entraves para a execução.

O prefeito Adriano Ramos se manifestou publicamente e reconheceu a relevância do trabalho desenvolvido pela ONG na assistência a animais em situação de abandono. Ele afirmou que o recurso permanece na conta do município, gerando rendimentos, e que a gestão pretende utilizá-lo para a aquisição de um veículo adaptado para recolhimento de animais, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

A destinação proposta foi criticada pela instituição, que defende a aplicação direta do valor na manutenção das atividades de resgate, tratamento e abrigo. Em declaração, o prefeito afirmou que não autorizará transferências que considere irregulares e que não pretende assumir responsabilidade por um procedimento que, segundo ele, poderia contrariar a legislação.

Mesmo diante do impasse administrativo, a mobilização popular garantiu, ao menos por ora, a continuidade do atendimento aos animais acolhidos, evidenciando a forte participação da comunidade local nas ações de proteção animal.

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