Projeto leva equipe escolar a comunidades isoladas e fortalece vínculo com famílias no litoral do Paraná
Em comunidades insulares do município de Guaraqueçaba, onde o deslocamento depende das condições de maré e de logística fluvial, uma equipe do Colégio Estadual do Campo Ilha Rasa tem levado a escola até as famílias para fortalecer o acompanhamento dos estudantes e ampliar o diálogo com a comunidade. A iniciativa, chamada Encontro das Marés, atende localidades onde vivem cerca de 90% dos 90 estudantes matriculados e terá continuidade após o recesso escolar, com uma nova etapa de visitas às comunidades a partir de 27 de julho.
Na nova etapa, a equipe do colégio voltará às comunidades de Medeiros, Massarapuã, Taquanduva, Tromomo, Mariana e Almeida, onde os primeiros encontros reuniram pais e responsáveis para dialogar sobre o desenvolvimento dos estudantes, fortalecer a parceria entre família e escola e identificar demandas que impactam a frequência e a aprendizagem.
Mãe de estudante e moradora da Ilha do Almeida, Thais Alves Meira, 33 anos, destacou a importância da aproximação entre escola e famílias para o desenvolvimento dos estudantes. “Na minha opinião, esse elo entre a escola e os pais é muito importante, porque ajuda a compreender tanto as dificuldades da escola quanto a realidade das famílias”, afirmou.
Para ela, iniciativas de aproximação entre escola e comunidade contribuem para o desenvolvimento dos estudantes e fortalecem a participação das famílias na vida escolar.
“Eu lembro de experiências anteriores que já mostravam resultados positivos nessa aproximação entre pais e escola. Esses encontros ajudam as famílias a compreenderem melhor o papel da escola e também permitem que os educadores conheçam mais de perto os desafios enfrentados pelas comunidades para manter os filhos na rotina escolar”, complementou.
PROXIMIDADE
Alinhado ao programa Família na Escola, da Secretaria de Estado da Educação, o projeto Encontro das Marés adaptou essa proposta à realidade de Guaraqueçaba. Como muitas famílias vivem em comunidades insulares e dependem de embarcações próprias e das condições climáticas para chegar até a unidade de ensino, a equipe do Colégio Estadual do Campo Ilha Rasa passou a realizar os encontros diretamente nas comunidades.
O diretor do colégio, Aramis Oilke Barbosa, destacou que a iniciativa busca reduzir a infrequência escolar, fortalecer a comunicação entre escola e comunidade e ampliar a participação das famílias no acompanhamento da vida escolar dos filhos. “Nosso foco é reduzir a infrequência escolar e fortalecer a comunicação entre escola e comunidade. A receptividade tem sido positiva, com participação das famílias em todas as comunidades”, afirmou.
“Quando a escola vai até as ilhas, ela reconhece a realidade dessas famílias e consegue agir mais rapidamente diante das dificuldades dos estudantes. A educação precisa dialogar com o território e com a vida da comunidade”, completou.
Também mãe de estudante e moradora da comunidade de Mariana, Valéria da Costa do Rosário Moradora destaca que a presença da equipe escolar nas ilhas fortalece a comunicação entre famílias e a escola e contribui para um acompanhamento mais próximo da trajetória dos estudantes. “É muito importante que a escola venha até a comunidade para conversar diretamente sobre o desenvolvimento dos alunos. Assim, os pais conseguem compreender melhor o que acontece no ambiente escolar e participar mais ativamente da vida dos filhos”, afirmou.
Segundo ela, o contato mais frequente entre famílias e equipe pedagógica também contribui para incentivar a frequência dos estudantes e reforçar a importância da permanência na escola. Valéria avalia que o acompanhamento próximo ajuda os responsáveis a exercerem um papel mais ativo na rotina escolar dos filhos e fortalece o compromisso compartilhado com a educação.
A presença da equipe nas comunidades fortalece o vínculo entre escola e famílias e amplia a capacidade de acompanhamento dos estudantes, permitindo que a equipe pedagógica identifique precocemente dificuldades de aprendizagem, situações de infrequência e outras demandas que podem comprometer a permanência escolar. O diretor avalia que essa aproximação também contribui para tornar as intervenções mais rápidas e efetivas.
“Quando a escola está dentro das comunidades, é possível compreender melhor essa realidade e agir com mais agilidade diante das dificuldades dos estudantes. Garantir a frequência não é apenas uma questão pedagógica, mas também social”, finalizou.
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