Quase 60% deixariam o tráfico se tivessem renda garantida, aponta pesquisa

Novembro 18, 2025 - 10:58
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Quase 60% deixariam o tráfico se tivessem renda garantida, aponta pesquisa

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Favela mostrou que a maior parte das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas deixaria essa atividade caso tivesse condições de garantir renda e estabilidade. Entre as quase 4 mil entrevistas válidas, 58% afirmaram que sairiam voluntariamente do crime se pudessem sustentar suas famílias com segurança. Outros 31% disseram que permaneceriam na atividade.

Os dados fazem parte do estudo *Raio-X da Vida Real*, conduzido entre 15 de agosto e 20 de setembro de 2025 em favelas de 23 estados. Para 22% dos entrevistados, abrir o próprio negócio seria o incentivo necessário para abandonar o crime; já 20% apontaram a possibilidade de um trabalho formal como motivo decisivo.

A análise por estado revela realidades distintas. No Ceará, 44% afirmaram que não deixariam o crime, enquanto 41% sairiam. No Distrito Federal, apenas 7% deixariam a atividade, contra 77% que permaneceriam. Em Minas Gerais, 40% disseram que sairiam e 57% afirmaram que continuariam.

A remuneração aparece como principal razão para a permanência no tráfico. Segundo o levantamento, 63% recebem até dois salários-mínimos por mês, com renda média de R$ 3.536, e 18% dizem não conseguir guardar dinheiro. Para o instituto, o retorno financeiro é baixo diante dos riscos e da vulnerabilidade enfrentados.

A necessidade econômica também é apontada como porta de entrada no crime. Muitos acreditaram que o ganho inicial resolveria dificuldades imediatas, mas relatam que rapidamente se depararam com limitações e riscos maiores que o esperado.

O estudo indica ainda que grande parte dessas pessoas busca outras atividades para complementar a renda. Entre os entrevistados, 36% têm outro trabalho remunerado; 42% fazem bicos eventuais; 24% mantêm pequenos negócios como barracas de alimentação ou oficinas. Além disso, 16% possuem emprego com carteira assinada, 14% ajudam em empreendimentos de amigos e 3% atuam em projetos sociais.

Das 5 mil entrevistas feitas presencialmente nas áreas de atuação do tráfico, 3.954 foram validadas. O questionário teve 84 perguntas, com margem de erro de 1,56 ponto percentual e 95% de confiança. O instituto destaca que este é o maior levantamento já realizado com pessoas envolvidas com o tráfico em atividade no país.

O perfil predominante dos entrevistados mostra que 79% são homens e 21% mulheres; 74% são negros; metade tem entre 13 e 26 anos; 80% nasceram e vivem na mesma favela; 52% têm filhos; e 42% não concluíram o ensino fundamental. Para 43%, a mãe é a figura mais importante, e as referências femininas representam mais da metade dos vínculos afetivos citados. Além disso, 84% afirmaram que não permitiriam que seus filhos entrassem para o crime.

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