Recorde no porto, caos nas ruas: Paranaguá vive crise estrutural agravada pelo aumento no fluxo de caminhões
Enquanto o Porto de Paranaguá comemora o maior volume da história no Pátio de Triagem, a cidade afunda, mais uma vez, em um colapso viário que se repete e se agrava a cada ano. Entre janeiro e abril de 2025, nada menos que 181.651 caminhões passaram pela triagem, superando o recorde anterior, de 2020, com 175.280 veículos. O número representa um salto de mais de 46 mil veículos em comparação ao mesmo período de 2024. E, com eles, aumentam também os problemas enfrentados pela população: filas intermináveis, vias danificadas, falta de mobilidade e ausência de contrapartidas claras por parte do porto à cidade que o abriga.
O Pátio de Triagem, que deveria aliviar a sobrecarga nas vias urbanas, serve mais como uma vitrine de eficiência logística do que uma solução completa. Apesar do sistema de agendamento e da promessa de organização, o que se vê nas ruas de Paranaguá é o contrário: um tráfego sufocado, sem rotas alternativas eficientes, e com moradores reféns do avanço logístico que beneficia grandes exportadores, mas castiga quem vive aqui.
Entre os exemplos mais gritantes está a Avenida Atílio Fontana, uma das principais vias de escoamento na cidade, que se transformou em sinônimo de abandono. A revitalização da avenida foi prometida durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Roque, mas o projeto jamais saiu do papel. Com o fim do mandato, dúvidas e incertezas rondam a execução da obra — que, mais do que uma demanda urbana, é uma necessidade urgente para desafogar o trânsito e dar mais segurança a motoristas e pedestres. Hoje, a avenida segue em péssimas condições, com buracos, má sinalização e ausência de planejamento para o intenso tráfego de veículos pesados.
A situação também é crítica nas rodovias sob nova concessão, como a Ayrton Senna e a Bento Rocha, agora sob responsabilidade da EPR Litoral Pioneiro. A expectativa de melhoria na mobilidade com a chegada da nova concessionária ainda não se concretizou. Quem depende dessas vias enfrenta filas quilométricas diariamente, agravadas pelo alto fluxo de caminhões e pela falta de soluções práticas e imediatas. As promessas de investimento esbarram na lentidão dos processos e no aumento constante da demanda logística.
Apesar de todo o impacto direto na malha urbana e na qualidade de vida dos parnanguaras, não há contrapartidas visíveis ou proporcionais por parte do porto e do Governo do Estado em relação ao caos que se estabelece nas ruas da cidade. O discurso oficial valoriza a fiscalização rígida e o sucesso das exportações — com destaque para as cargas de soja e farelo de soja, vindas em grande parte do Paraná e do Mato Grosso —, mas ignora a pressão exercida sobre uma cidade sem infraestrutura compatível com esse crescimento.
O Porto de Paranaguá é, sem dúvida, um orgulho logístico do Brasil. Mas também se tornou um peso para quem mora na cidade. Um crescimento que não anda lado a lado com o desenvolvimento urbano, e que evidencia a falta de planejamento integrado entre Estado, município e o próprio sistema portuário.
Enquanto o recorde de caminhões é comemorado nos corredores administrativos, a população continua presa nos mesmos congestionamentos, nas mesmas promessas e nos mesmos buracos de sempre.
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