Sem reposição da inflação desde 2017, professores estaduais fazem paralisação nesta terça-feira (29)

abril 29, 2025 - 08:56
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Sem reposição da inflação desde 2017, professores estaduais fazem paralisação nesta terça-feira (29)

Professores da rede estadual do ensino farão uma paralisação nesta terça-feira (29) para cobrar a reposição integral das perdas causadas pela inflação, o que não ocorre desde 2017. Aprovado em assembleia realizada pelo APP-Sindicato no dia 12 deste mês, o ato também vai lembrar os dez anos do episódio conhecido como “Massacre do Centro Cívico”, quando a Polícia Militar atacou servidores em greve com bombas e tiro de borracha, durante o governo de Beto Richa (PSDB).

A última vez que o governo cumpriu a data-base foi em 2016, ainda durante a gestão de Richa. Além de cobrar a reposição, os educadores reivindicam o pagamento do piso nacional do magistério, com aplicação na tabela do plano de carreira; abertura de novas vagas para o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE); a equiparação salarial para professores e funcionários de escola com as tabelas de servidores de outras categorias; e a isenção do desconto previdenciário para valores abaixo do teto do INSS.

O governador Ratinho Júnior (PSD) e deputados de sua base têm dito que o estado passa por um bom momento financeiro, mas em relação à educação a lógica é de privatização e precarização. Em dezembro, um decreto do governador estabeleceu novas regras para o pagamento da Gratificação de Tecnologia e Ensino (GTE), o que afastou os professores ainda mais do piso nacional da categoria. 
Também no ano passado, o governo aprovou a terceirização da gestão de 82 escolas estaduais, possibilitando que as empresas contratem professores no regime CLT. O programa Parceiro na Escola prevê o repasse de mais de R$ 1 bilhão para três grupos privados nos próximos três anos.

Professores e servidores se reunirão na Praça Tiradentes, no Centro de Curitiba, a partir das 9 horas desta terça-feira (29), para relembrar o “Massacre do Centro Cívico”, e irão em passeata até a praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico.

Em 29 de abril de 2015, cerca de 200 pessoas ficaram feridas durante uma manifestação contra o pacote de medidas proposto pelo governo de Beto Richa, que incluía cortes de gastos e mudanças no fundo de previdência dos servidores. A PM usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes que estavam na frente da Assembleia Legislativa do Paraná. 

“A gente está em mais um período difícil, em que a mão do governo tem pesado sobre nossa categoria nas escolas, mas estamos de pés aqui firmes e fortes para enfrentar. A terça-feira será mais um desses momentos”, disse a presidente da APP, Walkiria Mazeto. A mobilização também terá a participação de servidores do interior do estado, que virão em caravanas até Curitiba.

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