Voz do Trabalhador – Fim da escala 6x1: 'Empresários causam pânico para continuar sugando trabalhador', diz fundador do movimento

fevereiro 9, 2026 - 10:31
fevereiro 10, 2026 - 10:35
 0
Voz do Trabalhador – Fim da escala 6x1: 'Empresários causam pânico para continuar sugando trabalhador', diz fundador do movimento

Quando o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse na segunda-feira (2/2) que o fim da escala 6x1 — aquela em que o funcionário trabalha seis dias na semana e tem apenas um dia de descanso — será uma das prioridades do ano legislativo de 2026, a equipe do gabinete 805 da Câmara dos Vereadores do Rio de janeiro vibrou.

Entre divisórias plásticas brancas típicas de repartição pública e cartazes motivacionais com dizeres como "disciplina" e "foco", é ali que dá expediente Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia que viralizou no TikTok desabafando sobre sua rotina de trabalho, com só um dia de folga por semana.

Após criar uma petição que já reúne quase 3 milhões de assinaturas e fundar com outros trabalhadores o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Azevedo foi eleito em 2024 como o vereador mais votado do PSOL do Rio de Janeiro.

Aos 32 anos e nascido em Dianópolis, no Tocantins, ele não esconde o entusiasmo com a possibilidade de ver em breve se tornar realidade o que ele classifica, sem modéstia, como "a proposta trabalhista mais importante deste século".

"Tenho certeza que vai ser aprovado agora nesse primeiro semestre de 2026", disse Azevedo, em entrevista à BBC News Brasil, concedida no dia seguinte à fala de Hugo Motta na cerimônia de abertura do ano legislativo em Brasília.

Com igual entusiasmo, ele responde às críticas de economistas e empresários que têm se posicionado contrários ao fim da escala 6x1.

Esses críticos dizem que a proposta pode ser um tiro no pé da economia brasileira, em um momento em que empresas enfrentam dificuldades para contratar, e que pode prejudicar principalmente as pequenas e médias empresas, responsáveis por 80% do emprego formal do país.

"Se eu estivesse falando para você aqui agora, 'vamos acabar com a escravidão no país', os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem estrutura para acabar com a escravidão, que o país ia quebrar", diz Azevedo.

"O 13º [salário], a mesma coisa. Férias remuneradas, a mesma coisa. Licença maternidade também. Direitos para empregadas domésticas? 'Não podemos. O país vai quebrar'", afirma.

"Eles querem causar esse pânico econômico para continuar sugando o trabalhador seis dias na semana, para apenas um dia de folga, e receber um salário que muitas vezes não dá nem para comer."

Pesquisas Genial/Quaest publicadas em dezembro mostraram que, embora 72% da população seja a favor do fim da escala 6x1, entre os deputados, apenas 42% são favoráveis e 45% são contra — os outros 13% não opinaram ou não responderam.

A bancada contrária já foi maior, era de 70% em julho de 2025, segundo o mesmo instituto. Mas ainda assim, o apoio ainda é bem inferior ao da tarifa zero no transporte público, por exemplo, aprovada por 65% dos deputados em dezembro.

"O Congresso Nacional brasileiro, que deveria ser a Casa do Povo, é a casa do agro, dos empresários, dos lobistas, dos escravocratas. Netos e parentes de donos de escravos estão lá dentro", critica o fundador do movimento VAT.

Ainda assim, Azevedo se diz confiante na aprovação da pauta. "Eles são lobistas, são escravocratas, mas precisam do voto do povo", afirma.

O vereador também não poupa críticas ao governo Lula, que ele avalia ter dificuldade de dialogar com os novos trabalhadores. E afirma que o apoio da gestão petista à proposta — que deve ser uma das bandeiras da campanha de reeleição de Lula este ano, ao lado da tarifa zero — é resultado da pressão popular.

"Quando a classe trabalhadora se une em prol de uma causa que é muito maior que o lobby do Congresso Nacional, o governo se sente seguro em enfrentar esse lobby."

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow