Voz do Trabalhador – Mulheres quebram barreiras: Porto de Paranaguá tem as duas primeiras estivadoras
Pela primeira vez na história, duas mulheres passaram a atuar oficialmente como estivadoras no cais do Porto de Paranaguá. As irmãs gaúchas Eduarda e Fernanda Garcia da Costa iniciaram suas atividades neste mês, marcando um passo importante na presença feminina em um ambiente tradicionalmente masculino.
Atualmente, 986 estivadores atuam nos Portos de Paranaguá e Antonina. Com a entrada das novas profissionais, o setor vivencia um momento simbólico de abertura e transformação. A estreia aconteceu no último sábado (10), quando Eduarda e Fernanda cumpriram a primeira escala de trabalho.
As duas fazem parte do grupo de 37 mulheres aprovadas no processo seletivo para trabalhadores portuários avulsos (TPAs), realizado recentemente. A seleção contou com 7.415 inscritos, sendo 815 mulheres. Entre as aprovadas, estão 14 estivadoras, duas arrumadoras, 15 conferentes e seis vigias. Parte dessas profissionais ainda aguarda convocação para assumir suas funções.
A escolha levou em conta critérios que favoreceram a inclusão de mulheres, com o objetivo de incentivar a participação feminina em funções que, até pouco tempo, eram ocupadas exclusivamente por homens.
Eduarda, de 27 anos, é estudante de Letras e trabalhava como garçonete no Rio Grande do Sul. Segundo ela, a inspiração veio há dez anos, quando soube de mulheres que haviam ingressado na estiva em sua cidade natal. “Prometi a mim mesma que faria a prova um dia. Quando abriu aqui em Paranaguá, não pensei duas vezes e vim”, contou.
Já Fernanda, de 33 anos, é advogada e decidiu participar quase por acaso, acompanhando o marido no dia da prova. No fim, foi ela quem conquistou a vaga. As duas destacam que cresceram com o porto como referência, já que o pai atuava como arrumador no sul do país. “Nos inspiramos nas mulheres da nossa cidade, e agora queremos inspirar outras aqui em Paranaguá”, afirmou.
Mesmo em um cenário onde as estruturas ainda estão se ajustando para receber essa nova realidade, a chegada das primeiras estivadoras representa muito mais do que a ocupação de um cargo: é a afirmação de que espaços antes negados às mulheres podem — e devem — ser conquistados. A experiência e a competência agora dividem o cais com a coragem de quem decidiu fazer história.
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