Bolsonaro e réus serão interrogados no STF por tentativa de golpe
Terminaram na segunda, 2, a fase de oitivas na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de testemunhas indicadas pelos réus do “núcleo crucial” da ação por tentativa de golpe de Estado. Na próxima fase serão ouvidos os acusados, entre eles o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).
O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, agendou para a próxima segunda-feira o interrogatório dos réus deste grupo de acusados – composto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), incluindo ex-ministros e militares de alta patente.
Todos respondem por cinco crimes: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.
A fase de oitivas de testemunhas teve Bolsonaro como personagem central. Três depoentes relataram que o ex-presidente consultou a possibilidade de “virar a mesa” – pelo menos a generais das Forças Armadas -, discutiu a hipótese de prisão de Moraes e procurou irregularidades que pudessem assegurá-lo no comando do País mesmo após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de 2022.
Contaram essas situações o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Junior, o ex-chefe do Exército Marco Antônio Freire Gomes e Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União.
A oitiva das testemunhas do chamado “núcleo crucial” foi encerrada ontem com o depoimento do senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional do governo Bolsonaro. Marinho negou ter ouvido do ex-presidente algum plano de tentativa de golpe de Estado.
Nesta nova fase, além do ex-presidente, serão interrogados a partir de segunda-feira, 9, o general e ex-ministro Walter Braga Netto, o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), o ex-chefe da Marinha Almir Garnier Santos, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.
Os réus serão ouvidos na sala da Primeira Turma do STF, em Brasília, ao longo da tarde e da noite. Braga Netto é a exceção, já que está preso preventivamente no Rio de Janeiro. Ele será ouvido em sessão virtual.
A sessão começará com Mauro Cid, por ele ter sido colaborador da investigação. Depois serão interrogados os demais réus por ordem alfabética. Moraes disse que o interrogatório poderá ser feito em outros dias da próxima semana caso seja insuficiente ouvir todos na segunda-feira. Os réus podem optar por ficar em silêncio.
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