Ex-policial penal foi condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Marcelo Arruda no Paraná

dezembro 29, 2025 - 09:33
 0
Ex-policial penal foi condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Marcelo Arruda no Paraná

O ano de 2025 ficou marcado por um desfecho judicial aguardado desde 2022 no Paraná. Em fevereiro, o ex-policial penal Jorge José da Rocha Guaranho foi condenado a 20 anos de prisão pelo homicídio de Marcelo Arruda, crime ocorrido durante uma festa de aniversário em Foz do Iguaçu. A condenação foi por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por colocar outras pessoas em risco, com cumprimento inicial da pena em regime fechado.

O julgamento aconteceu entre os dias 11 e 13 de fevereiro, no Tribunal do Júri de Curitiba, e foi presidido pela juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler. O processo levou 937 dias até a sentença final e contou com a oitiva de dez testemunhas, entre elas a viúva da vítima, Pâmela Suellen Silva. Marcelo Arruda era guarda municipal e tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT).

O crime ocorreu em 9 de julho de 2022, durante a comemoração dos 50 anos de Arruda, em uma associação esportiva, com temática em homenagem ao então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Jorge Guaranho, que não havia sido convidado, invadiu a festa. Segundo as investigações, após uma discussão, ele deixou o local e retornou armado, efetuando disparos contra a vítima. Arruda chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O ex-policial também foi atingido durante o confronto.

O julgamento passou por uma série de adiamentos e mudanças. Inicialmente marcado para abril de 2024, em Foz do Iguaçu, a sessão foi interrompida após a defesa abandonar o plenário. Posteriormente, o caso foi remarcado e, após pedido de desaforamento apresentado pela defesa, o Tribunal de Justiça do Paraná decidiu transferir o júri para Curitiba, decisão tomada em junho de 2024, mesmo com parecer contrário do Ministério Público Estadual.

Em setembro de 2024, Jorge Guaranho havia obtido habeas corpus que autorizou o cumprimento de prisão domiciliar em Curitiba, com monitoramento eletrônico, sob alegação de problemas de saúde. A medida gerou reação do Ministério Público do Paraná, que solicitou a revogação do benefício.

Em março de 2025, o Tribunal de Justiça do Paraná revogou a prisão domiciliar e determinou que Guaranho fosse conduzido ao Complexo Médico Penal, em Pinhais, para cumprimento da pena. A decisão levou em consideração laudo do Instituto Médico Legal, que apontou que a unidade prisional possuía condições adequadas para o atendimento das necessidades médicas do condenado. O Ministério Público destacou, à época, o alto potencial de violência do réu, evidenciado pelo crime cometido.

O caso teve ampla repercussão estadual e nacional, tanto pelo contexto político do crime quanto pelo longo trâmite judicial. A condenação e a posterior revogação da prisão domiciliar foram vistas como marcos importantes no desfecho de um dos episódios de violência política mais emblemáticos do Paraná nos últimos anos.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow