CPI questiona Meta sobre lucros da bigtech com o crime na internet

fevereiro 25, 2026 - 10:00
Marços 1, 2026 - 10:31
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CPI questiona Meta sobre lucros da bigtech com o crime na internet

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado questionou, nesta terça-feira (24), a empresa Meta Platforms, responsável pelo WhatsApp, Facebook e Instagram, sobre supostos ganhos financeiros obtidos com a veiculação de anúncios ligados a golpes e fraudes nas plataformas digitais.

O relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que a monetização de conteúdos fraudulentos poderia gerar bilhões de dólares em receitas à companhia, criando um ambiente que favoreceria a permanência desse tipo de material nas redes.

Durante a audiência, o parlamentar também questionou a adoção da criptografia de ponta a ponta nos serviços de mensagens, argumentando que a ferramenta pode dificultar a atuação das autoridades na investigação de crimes. O recurso impede que terceiros tenham acesso ao conteúdo das conversas privadas realizadas nas plataformas.

Representando a empresa, a diretora de políticas econômicas para a América Latina, Yana Dumaresq Sobral Alves, negou que a companhia tenha interesse econômico na circulação de conteúdos ilícitos. Segundo ela, a Meta adota medidas preventivas e atua em tempo real para identificar e bloquear campanhas fraudulentas, destacando que manter as plataformas seguras é essencial para a sustentabilidade do negócio.

O senador defendeu a necessidade de discutir regulamentação mais rigorosa para o ambiente digital, afirmando que o crescimento das plataformas exige respostas legislativas diante do avanço de crimes praticados pela internet. Ele mencionou ainda a existência de ação judicial nos Estados Unidos contra a empresa, na qual a Meta é acusada de facilitar conteúdos ilegais — acusação que a companhia nega.

Na CPI, Alessandro Vieira também citou reportagens que apontariam um faturamento estimado em US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios relacionados a golpes e produtos proibidos, valor que representaria cerca de 10% da receita anual da empresa. A representante da Meta afirmou desconhecer qualquer orientação interna para evitar regulação estatal e declarou que, nos últimos anos, a empresa removeu milhões de contas e anúncios associados a fraudes em suas plataformas.

O debate também abordou a utilização das redes sociais para exploração sexual de crianças e adolescentes. O relator questionou se a empresa possui mecanismos suficientes para impedir a disseminação desse tipo de conteúdo. A diretora informou que o tema é tratado como prioridade pela companhia, com equipes dedicadas nas áreas de produto, compliance, jurídico e políticas públicas, mas afirmou não poder detalhar tecnicamente todos os mecanismos de detecção.

Diante das respostas consideradas insuficientes em alguns pontos, o relator anunciou que deverá reiterar a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil para prestar esclarecimentos diretamente à comissão.

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