Crescem os números de casos de estelionato amoroso e “sextorsão” em Paranaguá

Agosto 19, 2025 - 11:21
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Crescem os números de casos de estelionato amoroso e “sextorsão” em Paranaguá

Os golpes virtuais e presenciais envolvendo falsas relações afetivas têm se tornado cada vez mais frequentes em Paranaguá e em todo o Brasil. Conhecidos popularmente como “estelionato amoroso”, esses crimes têm deixado vítimas em diversas faixas etárias, com prejuízos emocionais e financeiros.

Em entrevista, o delegado Emmanuel Brandão, responsável pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) em Paranaguá, explicou como essas práticas vêm sendo aplicadas e destacou a importância da prevenção e da denúncia.

Segundo o delegado, trata-se de uma modalidade de fraude prevista no Código Penal (CP), enquadrada como violação sexual mediante fraude, com pena de dois a seis anos de prisão.

“É um crime que acontece tanto de forma presencial quanto virtual. O autor, homem ou mulher, utiliza artifícios de manipulação para conquistar a confiança da vítima e simular um relacionamento, visando obter alguma vantagem econômica”, explicou Brandão.

O delegado detalhou que existem diferentes formas de atuação dos criminosos. Segundo o delegado Emmanuel Brandão, o estelionato amoroso tradicional geralmente é aplicado contra mulheres maduras, mais solitárias. 

“O autor simula um relacionamento, pede dinheiro para supostas despesas, como passagens ou presentes retidos na alfândega, e pode levar a vítima a perder até a economia de toda uma vida”, explica.

Outro crime que vem crescendo muito em nossa região, é de sextorsão, no caso, o criminoso conquista a confiança da vítima, solicita fotos ou vídeos íntimos e depois passa a exigir dinheiro sob ameaça de divulgar o conteúdo. “É um caminho sem volta. A vítima paga acreditando que vai se livrar da ameaça, mas o criminoso nunca para de exigir mais”, alertou Brandão.

Outro golpe muito comum em Paranaguá, é o golpe da “novinha” que atinge principalmente homens entre 40 e 60 anos. “Um criminoso se passa por uma jovem, envia fotos íntimas e, em seguida, outro golpista se apresenta como pai, delegado ou até integrante de facção criminosa, alegando que a suposta menina é menor de idade. A vítima é então chantageada e coagida a fazer pagamentos para evitar acusações de pedofilia”, explicou o delegado. 

De acordo com o delegado, as plataformas digitais variam de acordo com a idade e perfil da vítima. “No Facebook os criminosos usam mais para abordar homens maduros e pessoas mais humildes. Já o Instagram e TikTok servem para atingir os jovens. O WhatsApp e o Telegram são usados em diversos tipos de golpes e faixa etárias”, detalha.

No Nucria, ainda não foram registrados casos de prejuízos altos envolvendo estelionato amoroso. Entretanto, na Central de Flagrantes de Paranaguá já houve registros de vítimas que chegaram a transferir até R$2 mil antes de procurar a delegacia. “Mesmo valores baixos já mostram a gravidade do problema, porque em muitos casos, em outras cidades, as pessoas chegam a perder somas muito maiores”, disse o delegado.

O delegado orienta que a primeira medida é não realizar nenhum pagamento, e sim procurar imediatamente a delegacia. “Em todos os casos, o criminoso sempre vai exigir mais valores. O ideal é procurar imediatamente a delegacia, registrar o boletim de ocorrência e preservar todas as provas, sem apagar conversas, contatos ou fotos”, reforçou.

Emmanuel Brandão faz um apelo à população para que desconfie de contatos virtuais desconhecidos e evite compartilhar imagens íntimas. “A internet é um mundo sem fim, onde nunca sabemos quem está do outro lado da tela. A melhor prevenção é estabelecer relações apenas com pessoas conhecidas ou indicadas por pessoas de confiança”, concluiu.

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