Desembargadora compara corte de “penduricalhos” a escravidão e gera polêmica no Judiciário

abril 22, 2026 - 09:06
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Desembargadora compara corte de “penduricalhos” a escravidão e gera polêmica no Judiciário

Uma declaração da desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, provocou forte repercussão ao comparar a limitação de benefícios extras pagos a magistrados a um “regime de escravidão”. A fala ocorreu durante sessão da corte e veio à tona após decisões do Supremo Tribunal Federal que restringiram os chamados “penduricalhos”.

Durante o discurso, a magistrada criticou as mudanças recentes e afirmou que a categoria pode enfrentar dificuldades financeiras com o corte desses adicionais. Segundo ela, a situação poderia levar juízes a condições semelhantes à escravidão — declaração que gerou críticas e debates sobre privilégios no Judiciário.

A desembargadora também afirmou que há uma “narrativa” negativa em torno da magistratura, que estaria sendo retratada como privilegiada. Em sua fala, defendeu que juízes trabalham além do horário, inclusive aos fins de semana, e enfrentam pressão constante no exercício da função.

Salários e benefícios entram no centro do debate

Dados públicos mostram que a remuneração da magistrada varia significativamente conforme o pagamento de verbas adicionais. Em março de 2026, por exemplo, ela recebeu cerca de R$ 91 mil. Em outros períodos, os valores ultrapassaram R$ 100 mil mensais, podendo chegar a cifras ainda maiores com indenizações e pagamentos retroativos.

Esses “penduricalhos” incluem benefícios como auxílios, indenizações e gratificações que, embora legais, frequentemente elevam os ganhos acima do teto constitucional — tema recorrente de discussão no país.

Repercussão

A comparação com escravidão foi amplamente criticada por especialistas e pela opinião pública, que apontam desproporcionalidade na fala diante dos altos salários do Judiciário. Por outro lado, entidades ligadas à magistratura defendem que as mudanças podem impactar direitos adquiridos e a estrutura remuneratória da carreira.

O episódio reacende o debate sobre transparência, teto salarial e privilégios no serviço público, especialmente no Judiciário, um dos poderes com maiores remunerações médias no país.

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