Em Paranaguá, Thales Bispo apresenta pinturas sobre o território Caiçara
Abre hoje, às 19h, na Casa Monsenhor Celso, no centro histórico de Paranaguá (PR), a mostra “Soterramento”, do artista matinhense Thales Bispo. Ao todo, 35 obras compõem as quatro salas do espaço e dialogam com paisagens, identidade cultural e território caiçara do litoral paranaense.
A exposição tem curadoria de Luiz Lavalle, professor de Thales durante três anos no Museu Alfredo Andersen, em Curitiba. “Thales chegou ao ateliê com uma proposta figurativa de pintura, interessado na reprodução de cenas de basquete e retratos de pessoas”, conta. “De maneira inventiva, ele absorveu as referências e proposições nas aulas e as adaptou à própria pesquisa, que aos poucos se consolidou em torno da paisagem litorânea, dos sambaquis e das populações do litoral”.
A curadoria apresenta três subséries desenvolvidas pelo artista. Na série que dá nome à exposição, “Soterramento”, Thales utiliza verniz e areia coletada nas praias de Matinhos para literalmente soterrar as pinturas. “Eu coleto madeiras e trato, para então fazer, sobre elas, pinturas figurativas das paisagens do litoral e depois soterra-las na praia”, explica.
Na série “Almas”, o artista recorre à técnica da frottage, colocando tecido sobre superfícies texturizadas para capturar e imprimir marcas de sambaquis, antigos monumentos formados por ossos de animais e humanos, conchas e objetos de povos que viveram no litoral há milênios. Thales destaca que sua intenção é aproximar sua produção do próprio território. “Eu sempre quis que minha produção tivesse relação com aquela territorialidade, por isso aproximei os sambaquis na minha pesquisa”, afirma. Ele observa que muitos desses sítios aparecem hoje em espaços urbanos, sem preservação ou catalogação.
A partir dessas impressões, Thales também realiza trabalhos figurativos que revelam pássaros característicos da região, como guarás, biguás, andorinhas e gaivotas. Para o curador, a noção de soterramento atravessa também essa série. “Discutimos a ideia de os sambaquis serem terrenos soterrados que guardam, por milhares de anos, a história dos povos que estiveram aqui antes de nós”, diz Lavalle.
Na terceira série, intitulada “Matéria Suspensa”, o artista desenvolve pinturas-objeto, nas quais incorpora às imagens elementos usados na pesca, como chumbos, anzóis, boias e linhas. Esses materiais aparecem como extensões da pintura, ativando o espaço ao redor da obra.
A abertura da exposição acontece hoje, às 19h, na Casa Monsenhor Celso, localizada na Praça do Marco Comemorativo do Tricentenário, no Centro Histórico de Paranaguá. A mostra fica aberta para visitação até 12 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, com entrada gratuita.
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