Empresa citada em investigação nacional apresentou projeto bilionário em Paranaguá

Agosto 29, 2025 - 09:29
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Empresa citada em investigação nacional apresentou projeto bilionário em Paranaguá

A operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, revelou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo empresas de diversos setores, entre elas a Liquipar Operações Portuárias S.A., que atua em Paranaguá.

De acordo com a investigação, organizações criminosas utilizavam postos de combustíveis, distribuidoras, empresas de transporte e até fintechs para movimentar recursos ilícitos. O esquema teria alcançado R$ 52 bilhões em transações suspeitas, envolvendo mais de mil postos em dez estados, segundo a Receita Federal. Ao todo, foram expedidos 350 mandados de prisão, busca e apreensão, além do bloqueio judicial de mais de R$ 1 bilhão em bens.

A inclusão da Liquipar entre as empresas citadas na investigação ganha relevância no litoral do Paraná porque, no último dia 23, a companhia apresentou o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) de um novo terminal de armazenamento e movimentação de granéis líquidos.
O projeto prevê investimentos de até R$ 589 milhões, com expectativa de geração de empregos diretos e indiretos e fortalecimento da economia local. A Liquipar atua nos segmentos de fertilizantes líquidos, combustíveis, óleos e produtos químicos.

A revelação de que a empresa aparece na investigação nacional gera um contraste delicado: de um lado, a expectativa de investimentos bilionários e novas vagas de trabalho para a cidade; de outro, a preocupação de que companhias do setor possam estar relacionadas a movimentações ilícitas.

Em nota oficial, a Liquipar Operações Portuárias negou qualquer envolvimento com o esquema investigado na operação Carbono Oculto. A empresa afirma que:
Jamais movimentou combustíveis, incluindo metanol, no Terminal PAR50, em Paranaguá;
Desde abril de 2024, quando assumiu a gestão, nenhuma operação foi realizada no local;

O licenciamento obtido em junho de 2025 contempla apenas diesel, biodiesel e etanol, sem previsão de metanol;
Todas as atividades portuárias são fiscalizadas por órgãos como ANTAQ, Receita Federal e Portos do Paraná;
Não há indícios de utilização do terminal para práticas ilícitas.

A companhia reforçou ainda que o investimento previsto de R$ 572 milhões é voltado exclusivamente à modernização e segurança do terminal e que está colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos.

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