Institutos contornam regras em pesquisas eleitorais autofinanciadas

Julho 6, 2026 - 10:10
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Institutos contornam regras em pesquisas eleitorais autofinanciadas

 A três meses da eleição, as pesquisas eleitorais registradas na Justiça Eleitoral como tendo sido bancadas pelos próprios institutos responsáveis pela condução correspondem a quase metade dos levantamentos.
Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que 58 empresas registraram pesquisas feitas com recursos próprios de janeiro até o dia 17 de junho.
Cinco empresas se destacam pelos valores dos levantamentos registrados.
O Instituto Veritá registrou 93 pesquisas com recursos próprios neste ano, chegando a um gasto total de R$ 10,8 milhões. Esse montante ultrapassa o lucro e a receita bruta declarados pela empresa no ano passado, que foram respectivamente de R$ 927 mil e R$ 3,8 milhões.

Na sequência, aparece o Instituto Real Time Big Data, que protocolou 34 levantamentos autofinanciados, cujos valores declarados somados chegam a R$ 2,4 milhões. Também neste caso a quantia é maior que o lucro e a receita bruta do instituto em 2025, que foram respectivamente R$ 135,4 mil e R$ 433,4 mil.
Já o Instituto Vetor Arrow aparece com 13 levantamentos, num total de R$ 1,9 milhão —a maioria deles realizados apenas no Rio de Janeiro. Também no caso dele o valor supera o lucro em 2025 (R$ 378,5 mil) e a receita bruta (R$ 677,5 mil).
A AtlasIntel vem, logo depois, com 18 pesquisas com recursos próprios, com um total de R$ 1,3 milhão. E, em quinto lugar, está o instituto Paraná Pesquisas, que registrou 16 pesquisas autofinanciadas nesse intervalo, chegando a uma quantia de R$ 687 mil. Nesses dois casos, a verba gasta não ultrapassa o faturado no ano passado.
Alguns desses institutos fizeram também pesquisas pagas por clientes externos, mas em menor quantidade. A AtlasIntel fez apenas duas, o Veritá fez três e o Vetor Arrow, uma.
A Folhapress  questionou esses institutos sobre o motivo de terem realizado esse volume de pesquisas com recursos próprios e sobre a origem dos recursos.
O Instituto Veritá diz que os recursos provêm da estrutura operacional consolidada pela empresa, acrescentando possuir “contratos privados, projetos em andamento e equipes permanentes”. E que, em períodos de disponibilidade, “essa capacidade é utilizada para a realização de pesquisas por iniciativa própria, prática legítima, transparente e compatível com a legislação vigente”. Ainda segundo a empresa, os valores declarados correspondem aos de mercado, mas o custo operacional interno é significativamente inferior.
Regras
Para divulgar uma pesquisa eleitoral em ano de disputa, é obrigatório registrá-la junto à Justiça Eleitoral, informando o questionário que será utilizado, a metodologia, assim como o contratante da pesquisa e o valor pago.
Na hipótese de pesquisas com recursos próprios dos institutos, a legislação eleitoral determina que é preciso enviar ao TSE o “valor e origem dos recursos despendidos”. Além disso, como forma de ter mais controle, desde 2024, passou a ser exigida a apresentação do DRE (Demonstrativo do Resultado do Exercício) referente ao ano anterior da eleição, em que constam dados como receita e lucro.

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