Mulheres que transformam Paranaguá: liderança, acolhimento e proteção fortalecem a cidade
Ao longo de seus 378 anos de história, Paranaguá foi construída por muitas mãos. Entre elas, mulheres que se destacam diariamente, dedicam seu trabalho, conhecimento e sensibilidade para transformar vidas, fortalecer políticas públicas e contribuir para o desenvolvimento social do município. Na área da segurança, da saúde e da defesa dos direitos das mulheres, profissionais e instituições vêm deixando marcas importantes na cidade e na vida de centenas de famílias.
A força feminina na segurança pública
À frente do Cartório de Vulneráveis da Polícia Civil do Paraná, a delegada Kemelly Maria da Silva Lugli atua diretamente na proteção de grupos vulneráveis e no atendimento de mulheres em situação de violência. Natural de Pontal do Paraná, ela destaca a importância da representatividade feminina dentro das forças de segurança. “A Polícia Civil como um todo tem feito um trabalho muito importante no Paraná. Tivemos um aumento de policiais com o último concurso e muitas mulheres ingressaram na instituição. O número de delegadas e delegados homens está cada vez mais se aproximando”, afirma.
Para Kemelly Lugli, ser mulher faz diferença também na forma de acolher e compreender as vítimas. “Eu sempre quis atuar nessa área. Sou daqui do Litoral, sou de Pontal do Paraná, então isso tem um significado ainda maior para mim. Nós sentimos na pele o que é ser mulher. Algumas dores só nós sentimos. Isso traz uma sensibilidade diferente no atendimento e na compreensão das especificidades de cada mulher que chega pedindo ajuda”, ressalta.
A delegada também destaca a importância da presença feminina em cargos de liderança. “Tenho muito orgulho de estar nessa posição. Na minha família, por exemplo, sou a primeira mulher totalmente independente financeiramente. Não dependo de ninguém para autorizar minhas decisões. Por isso, valorizo muito a responsabilidade de estar nesse lugar de representação, tanto como profissional quanto como mulher”, enfatiza.
Acolhimento que salva vidas
Outro trabalho que vem impactando diretamente a vida das mulheres parnanguaras é o realizado pela Patrulha Maria da Penha, coordenada pela guarda civil municipal, Márcia Garcia, que atua no acompanhamento e proteção de mulheres vítimas de violência doméstica por meio da Guarda Civil Municipal.
Segundo ela, o maior resultado está na transformação da vida de quem consegue romper o ciclo da violência. “É muito gratificante porque temos várias mulheres que conseguiram sair desse ciclo e são agradecidas. Mas o maior agradecimento é nosso, por poder ajudar, orientar e acolher essas mulheres em qualquer momento que elas estejam vivendo”, destaca.
Márcia Garcia acredita que o trabalho desenvolvido pela Patrulha Maria da Penha tem contribuído significativamente para tornar Paranaguá uma cidade mais segura. “Minha equipe também fica muito feliz com os resultados. Sempre fazemos um feedback do trabalho realizado. Eu sempre oriento que ninguém deve julgar essa mulher, porque ela já está passando por um momento muito frágil. O que ela precisa é de acolhimento e orientação”, explica.
Os números demonstram a dimensão desse trabalho. Apenas em 2025, a Patrulha Maria da Penha realizou cerca de 2.500 atendimentos. “Faz muita diferença. Graças a Deus, em 2025 realizamos 2.500 atendimentos. Neste ano queremos dobrar esse número com a chegada de mais duas equipes e uma nova viatura”, revela.
Na Polícia Militar, que também conta com a Patrulha Maria da Penha, a participação das mulheres também têm contribuído para ampliar a sensação de acolhimento e segurança da população. A cabo Edna Mara Leineker Camargo destaca que a presença de policiais femininas faz diferença inclusive nos atendimentos relacionados à violência doméstica. “Quando você vai fazer um atendimento de violência doméstica, as mulheres ficam mais acolhidas vendo que tem uma mulher fazendo o atendimento ali. Não que os homens da nossa corporação não tenham o mesmo carisma, o mesmo afeto ou o mesmo acolhimento, porque têm, mas com uma policial feminina realizando esse atendimento, elas acabam se sentindo mais acolhidas”, afirma.
Segundo a policial, esse acolhimento é importante em momentos de grande vulnerabilidade emocional. “É muito importante nesse momento em que elas estão muito fragilizadas”, ressalta.
A cabo Leineker também destaca a evolução da participação feminina nas forças de segurança e reforça que homens e mulheres desempenham as mesmas funções dentro da corporação. “A mulher tem a mesma capacidade de um homem. Hoje em dia a gente está junto, está igual. Na corporação é a mesma coisa, somos iguais ali. Trabalhamos onde eles trabalham e estamos juntos ajudando na segurança da cidade”, destaca.
Treze anos restaurando sonhos
Há 13 anos, o Instituto Peito Aberto desempenha um papel essencial na vida de mulheres que enfrentam o câncer de mama em Paranaguá. A entidade nasceu da iniciativa de Fabiana Parro e sua prima Isabela Galvez, atual presidente da instituição, com o propósito de garantir acolhimento e suporte às pacientes durante uma das fases mais difíceis de suas vidas.
A fisioterapeuta e diretora do Instituto, Sara Razzak, explica que o principal objetivo é fazer com que nenhuma mulher enfrente esse processo sozinha. “O Instituto surgiu da necessidade e da vontade de fazer com que a mulher que esteja passando por esse processo tão difícil e doloroso não se sinta sozinha. Que ela tenha convívio, contato e informação através de outras pacientes que também estão passando ou já passaram por essa experiência”, observa.
Fortalecendo direitos e políticas públicas
A defesa dos direitos das mulheres também passa pelo trabalho desenvolvido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Paranaguá, presidido por Alessandra Bukarewicz.
Segundo ela, o Conselho atua como uma ponte entre o poder público e a sociedade civil, acompanhando de perto as demandas femininas e contribuindo para a construção de políticas públicas mais eficazes. “Tenho a honra de atuar ao lado de um grupo de mulheres comprometidas, representantes tanto da gestão pública quanto dos movimentos sociais do município”, afirma.Entre as atribuições do órgão estão o acompanhamento da implementação de leis e políticas públicas voltadas às mulheres, a proposição de ações e projetos e o fortalecimento da rede de proteção e garantia de direitos. “No Conselho, acompanhamos de perto as necessidades da população feminina parnanguara, monitoramos a implementação das leis e das políticas públicas voltadas às mulheres, propomos ações e projetos e fortalecemos a rede de proteção e garantia de direitos”, explica.
Alessandra destaca ainda a importância das campanhas de conscientização promovidas ao longo do ano. “Também temos a oportunidade de promover e participar de campanhas que reforçam a importância do respeito aos direitos das mulheres, da igualdade de gênero e da construção de uma sociedade mais justa, segura e livre de todas as formas de violência”, conclui.
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