Museu da UFPR em Paranaguá registra quase 11 mil visitantes no primeiro semestre de 2025
O Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR), localizado no Centro Histórico de Paranaguá, alcançou uma marca expressiva no primeiro semestre de 2025: quase 11 mil pessoas visitaram o espaço entre janeiro e junho. O número reforça a relevância do museu como ponto turístico, educacional e cultural no litoral do estado.
O secretário do museu, Wesley Ventura, destacou a diversidade do público neste período do ano. “Recebemos visitantes de todos os continentes. Tivemos, por exemplo, 90 visitantes da Alemanha, além de pessoas da China, Tailândia, Estados Unidos, El Salvador e diversos outros países”, relatou. Segundo ele, a maior parte do público é brasileiro, com destaque para visitantes de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, além do próprio Paraná.
Apesar de funcionar em um prédio histórico, Wesley lembrou que o museu não é um local tradicional sobre a história da cidade, e sim um espaço dedicado à pesquisa universitária e à difusão científica. “Muita gente se surpreende ao descobrir isso. O foco são as exposições vinculadas à produção acadêmica da universidade, não à história local, embora o prédio por si só já conte muito da história do Brasil colonial”, explicou o secretário do MAE-UFPR.
A estrutura do museu soma cerca de 1.700 m² de área expositiva. Atualmente, o local passa por uma fase de transição: uma exposição de longa duração — que estava montada há quase nove anos — está sendo desmontada para dar lugar à mostra comemorativa dos 60 anos do museu. “É um trabalho minucioso, de reforma de mobiliário e montagem, então alguns espaços estão temporariamente fechados”, informa Ventura.
Entre as exposições em cartaz, destaque para a que aborda a Década do Oceano, promovida pela ONU, e para a mostra sobre a etnia Mbyá Guarani, de indígenas da Ilha da Cotinga. Outro ponto de grande interesse é a réplica de uma oca indígena instalada no pátio interno do museu, onde visitantes — especialmente as crianças — podem vivenciar de forma sensorial aspectos da cultura ancestral.
A exposição “Terra em Trama” propõe uma imersão nas formas de habitar e construir dos povos indígenas do Paraná e suas vizinhanças. Fruto de uma colaboração entre estudantes, artistas construtores indígenas e pesquisadores, a mostra destaca as arquiteturas, materialidades e cartografias sociais desses territórios. A instalação foi concebida como um espaço interativo, onde os visitantes podem conhecer práticas espaciais contemporâneas desenvolvidas por comunidades Kaingang, Guarani e Xetá, entre outras etnias.
O percurso expositivo apresenta tanto exemplares arquitetônicos construídos como registros gráficos que documentam os modos de viver indígena em constante transformação. Com curadoria compartilhada entre a arquiteta e professora Marina Oba, o artesão e liderança Xetá Dival da Silva, o antropólogo e pedagogo Kaingang Florencio Rekayg Fernandes e a professora Guarani Jani Jaxuka, a exposição convida à reflexão sobre a contribuição desses saberes ancestrais diante do cenário de crise climática global.
Além das exposições, o MAE-UFPR também abriga um auditório com intensa programação cultural, acadêmica e comunitária. “Aqui temos desde palestras e lançamentos de livros até reuniões de lideranças e sessões de fotos mediante agendamento. É um espaço multifuncional e de extensão universitária”, ressaltou o secretário.
A visitação ao museu é gratuita e não exige agendamento prévio. O museu funciona de terça a domingo, das 8h às 20h, inclusive em feriados. Para entrar, o visitante realiza um cadastro simples na recepção. Às segundas-feiras o espaço fecha para manutenção. “É o dia dedicado à limpeza, a encerar os pisos de madeira. O visitante que chega na terça-feira cedo vê o chão tão limpo que dá até para se espelhar”, disse.
Localizado na Rua XV de Novembro, 575, o Museu de Arqueologia e Etnologia de Paranaguá está aberto ao público de terça a domingo, das 8h às 20h. As visitas são gratuitas.
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