Prefeito Adriano Ramos pede devolução de mais de R$ 9 milhões pagos a empresa investigada durante gestão de Marcelo Roque
O prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos, realizou uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (21) para esclarecer os contratos firmados entre 2022 e 2024, durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Roque, com a empresa AGP Saúde — investigada em sete municípios do Paraná. Segundo Adriano, o contrato foi suspenso em fevereiro deste ano e nenhum pagamento foi feito pela atual administração.
De acordo com o prefeito, mais de R$ 9 milhões foram empenhados pela gestão anterior, o que chamou atenção do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). Um levantamento técnico da Secretaria de Saúde apontou inconsistências nos serviços prestados e registros de pessoas falecidas como testadas, o que levou à suspensão do contrato.
Somente em 2024, a empresa teria recebido R$ 7,3 milhões — sendo R$ 1,5 milhão pago no dia 20 de dezembro, último dia útil antes da troca de governo. A AGP informou ter feito 91.400 testes entre 2023 e 2024, número que corresponderia a mais de 80% da população adulta de Paranaguá.
Toda a documentação foi encaminhada ao TCE e ao Ministério Público, a pedido do GAECO. Adriano afirmou que o objetivo é recuperar os valores pagos: “Queremos que esse dinheiro volte para o povo de Paranaguá. Faz falta na merenda, na saúde e no salário dos servidores.”
A secretária de Fiscalização, Isabele Figueira, destacou que o contrato saltou de 4 mil para mais de 78 mil testes em apenas um ano, sem justificativa. O secretário de Saúde, Daniel Fangueiro, ressaltou que o valor gasto poderia ter garantido milhares de plantões e consultas médicas.
O procurador do município, Thiago Leal, informou que um relatório completo foi enviado aos órgãos de controle, enquanto a Prefeitura segue com investigação interna. Segundo a assessora jurídica Maria Clara Cavazzani, já foram identificados R$ 9,5 milhões em pagamentos e há indícios de valores ainda maiores.
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