Reféns palestinos são libertados e recebidos por multidão em Gaza e na Cisjordânia
Palestinos que já haviam perdido a esperança de ver seus filhos, maridos e tios em liberdade se reuniram nesta segunda-feira diante dos ônibus em Ramallah, em meio a lágrimas, gritos e abraços contidos. Como parte do acordo de cessar-fogo, as autoridades israelenses anunciaram ter concluído a libertação dos 1.968 prisioneiros palestinos, após o Hamas devolver os 20 reféns sobreviventes dos ataques de 7 de outubro de 2023 que ainda estavam em cativeiro. Alguns dos libertados, pálidos e magros, mal conseguiam se sustentar em pé e precisaram de ajuda para andar. Do lado de fora, parentes os aguardavam entre a euforia e o medo — felizes por reencontrá-los, mas apreensivos com a possibilidade de que uma celebração pública pudesse levá-los de volta à prisão.
Os presos foram libertados em dois grupos: um foi transferido da prisão de Ofer para outras partes da Cisjordânia ocupada, e o segundo saiu da prisão de Ketziot para Kerem Shalom, no sul de Israel — uma das passagens de fronteira para Gaza.
Todos foram escoltados por agentes penitenciários israelenses, auxiliados pela polícia, segundo um comunicado oficial do Exército de Israel. Um médico disse à BBC que vários deles apresentavam ferimentos causados por espancamentos pouco antes de serem soltos.
A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino informou que um prisioneiro foi transferido da Prisão de Ofer para o Hospital de Ramallah, enquanto outros sete foram hospitalizados após serem deixados em Ramallah.
— Ele parece um cadáver. Mas vamos trazê-lo de volta à vida — disse um parente de Saber Masalma, integrante do Fatah preso desde 2002 e libertado na Cisjordânia.
A alguns metros dali, familiares se abraçavam, jovens choravam e apoiavam a testa uns nos outros. Alguns chegaram a desmaiar de emoção por voltar a ver seus entes queridos após anos, em alguns casos décadas, presos. Em sinal de celebração, a multidão também repetia, em coro, "Allahu akbar" (Deus é o maior, em árabe).
Entre os libertados estavam 250 palestinos condenados por crimes de terrorismo ou atos de violência contra israelenses, em sua maioria filiados ao Fatah, facção palestina rival ao Hamas — muitos cumpriam penas de prisão perpétua por ataques ocorridos nas décadas de 1980 ou 1990.
Nasser Shehadeh, que cumpriu três anos de uma sentença de 17 anos, disse ter sido informado de que seria libertado há apenas três dias.
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