Renato Freitas questiona imparcialidade do relator do pedido de sua cassação
O deputado estadual Renato Freitas (PT) questionou nesta terça-feira (2) a imparcialidade do relator de seu processo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, Marcio Pacheco (PP). Designado na semana passada para relatar o pedido de cassação, Pacheco fez 28 postagens criticando Freitas somente neste ano, segundo levantamento do petista. O petista se envolveu em uma briga no Centro de Curitiba no dia 19 de novembro.
Pacheco é um dos principais críticos da atuação de Freitas na Assembleia, ao lado de Ricardo Arruda (PL) e Tito Barrichello (União). Em maio, o deputado do PP conseguiu reverter o arquivamento de uma denúncia contra o petista no Conselho de Ética, o que resultou em uma suspensão de 30 dias por suposto incentivo à ocupação das galerias da Assembleia por professores em greve.
"Foi uma batalha, mas, enfim, hoje foi dia para comemorar ao ver a leitura formal da punição a Renato Freitas”, publicou Pacheco no Instagram depois que o Conselho de Ética aprovou a suspensão. Em setembro, a Justiça considerou a punição ilegal e suspendeu a medida.
Marcio Pacheco também publicou sobre o episódio que levou à cassação do mandato de vereador de Renato Freitas em Curitiba, após ser acusado de invadir a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, no Largo da Ordem. “Mas o que esperar do Renato Freitas do PT, aquele que invadiu uma igreja, lembram?”, questionou o parlamentar do PP em suas redes sociais. Freitas participava de um ato para denunciar mortes violentas de pessoas negras.
Em fevereiro deste ano, os dois discutiram durante uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia. Freitas acusou um assessor de Pacheco de provocá-lo durante uma fala. “O senhor não manda aqui. Baixa a bola", disse Pacheco. O petista o chamou de "coronelzinho de meia-pataca”.
O presidente do Conselho de Ética, deputado Jacovós (PL), avalia que Freitas estava no exercício de seu mandato quando se envolveu na briga. "Eu entendo que durante os quatro anos você está exercendo o seu mandato. Se você, no final de semana, vai pescar e se envolve em uma briga na pescaria, você está exercendo o seu mandato". Javocõs estima que o processo será concluído em março de 2026.
Outro integrante do Conselho já deu várias mostras de que considera Renato Freitas culpado. Autor de uma das representações contra Renato Freitas, Tito Barrichello é outro crítico do deputado do PT em suas redes sociais e nesta segunda-feira (1) protocolou outro pedido de cassação contra o petista, desta vez por ele ter afirmado que fuma maconha.
Marcio Pacheco disse nesta terça que nunca representou contra Freitas, nem foi denunciado por ele. "Nossos embates sempre aconteceram dentro do Parlamento, no campo das ideias. Na minha relatoria, vou analisar exclusivamente os fatos, não a vida pregressa nem a maneira de pensar de ninguém", garantiu.
Segundo o deputado, o processo seguirá seu trâmite de acordo com o Regimento Interno da Assembleia e o Estatuto do Conselho de Ética. "A investigação ocorrerá com base nos fatos apresentados, nas provas reunidas e nas testemunhas que serão ouvidas, e é a partir desses elementos que construirei o parecer, que depois será analisado pelos outros seis integrantes do Conselho".
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