Retrospectiva 2025: morte do papa Francisco e a transição histórica que levou à eleição de Leão XIV

dezembro 30, 2025 - 08:43
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Retrospectiva 2025: morte do papa Francisco e a transição histórica que levou à eleição de Leão XIV

O ano de 2025 foi marcado por um dos momentos mais simbólicos e impactantes da história recente da Igreja Católica: a morte do papa Francisco e a eleição de seu sucessor, Leão XIV. O período foi acompanhado por comoção mundial, reflexões sobre o legado do pontífice argentino e expectativas em torno dos rumos da Igreja diante dos desafios contemporâneos.

O papa Francisco morreu na manhã de 21 de abril, aos 88 anos, no Vaticano. O anúncio oficial foi feito pelo camerlengo Kevin Farrell, da Casa Santa Marta, que informou que o Bispo de Roma faleceu às 7h35, horário local. Um dia antes, no domingo de Páscoa, Francisco ainda havia aparecido na sacada da Basílica de São Pedro para a tradicional mensagem Urbi et Orbi, deixando sua última bênção ao mundo. O cardeal destacou que toda a vida do pontífice foi dedicada ao serviço da Igreja e do Evangelho.

Desde 2013 à frente do Vaticano, Francisco enfrentava problemas de saúde recorrentes nos últimos anos, incluindo infecções respiratórias, quedas e dificuldades de locomoção, que o levaram ao uso de cadeira de rodas e bengalas em compromissos públicos. Em fevereiro, chegou a ser internado para tratar um quadro de bronquite, mas, mesmo com a saúde fragilizada, manteve grande parte da agenda de reuniões e compromissos oficiais.

Nascido Jorge Mario Bergoglio, em Buenos Aires, Francisco foi o primeiro papa latino-americano e o primeiro jesuíta a assumir o comando da Igreja Católica. Filho de imigrantes italianos, formou-se inicialmente como técnico em química antes de ingressar no sacerdócio. Licenciado em filosofia e teologia, foi professor, bispo auxiliar e arcebispo de Buenos Aires, onde se destacou por um trabalho pastoral voltado à evangelização, à simplicidade e à defesa dos pobres e dos doentes. Em 2001, foi nomeado cardeal por João Paulo II e, em 2013, eleito papa após a renúncia de Bento XVI.

Ao longo de seu pontificado, Francisco deixou marcas profundas. Fez reiterados apelos por cessar-fogo em conflitos armados, defendeu o diálogo entre nações e denunciou os impactos das guerras sobre populações civis. Também se destacou pela defesa do meio ambiente, alertando para os efeitos das mudanças climáticas e para o sofrimento dos mais pobres diante de desastres ambientais. Em 2024, afirmou que a Terra “está com febre” e cobrou mudanças de hábitos pessoais e políticas globais de preservação.

No campo institucional, promoveu mudanças significativas, como a nomeação, em janeiro de 2025, da freira Simona Brambilla para chefiar um importante dicastério do Vaticano, tornando-se a primeira mulher a comandar um órgão central da Cúria Romana. Outro marco de seu papado foi a decisão histórica que autorizou padres a concederem bênçãos a casais do mesmo sexo, fora dos rituais litúrgicos, reforçando a mensagem de acolhimento sem alterar a doutrina sobre o matrimônio.

Francisco também esteve ligado a episódios simbólicos, como a canonização do padre José Allamano, reconhecida por um milagre ocorrido na Amazônia brasileira, envolvendo a recuperação de um indígena yanomami atacado por uma onça. Mesmo diante de questionamentos sobre uma possível renúncia, o pontífice afirmava, até meados de 2024, que não havia motivos suficientes para deixar o cargo.

Com a morte de Francisco, teve início o período de Sé Vacante, encerrado em 8 de maio com a eleição do cardeal norte-americano Robert Francis Prevost como novo papa, que adotou o nome de Leão XIV. A escolha ocorreu no segundo dia do conclave, após quatro votações, com a participação de 133 cardeais eleitores. A fumaça branca surgiu na chaminé da Capela Sistina no início da tarde, confirmando a eleição.

Nascido em Chicago, em 1955, Leão XIV tornou-se o primeiro papa da história da Igreja Católica nascido nos Estados Unidos. Integrante da Ordem de Santo Agostinho, foi missionário no Peru por cerca de duas décadas, atuou como bispo de Chiclayo e, em 2023, assumiu o cargo de prefeito do Dicastério para os Bispos. Em sua primeira aparição pública, dirigiu uma mensagem de paz, inclusão e justiça aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro.

Ao longo dos primeiros meses de pontificado, Leão XIV sinalizou a continuidade de temas centrais do legado de Francisco, especialmente o apelo pela paz mundial. Em dezembro, ao celebrar pela primeira vez os ritos de Natal como papa, reforçou pedidos de cessar-fogo em regiões em conflito, como Sudão, Ucrânia e Gaza. Na mensagem preparada para o Dia Mundial da Paz, em 1º de janeiro, defendeu uma paz “desarmada e desarmante” e criticou a corrida armamentista global, além do uso militar da inteligência artificial.

As declarações do novo pontífice repercutiram entre lideranças religiosas de diferentes tradições no Brasil, que destacaram a importância do diálogo, da justiça e do combate à intolerância. Para representantes católicos, evangélicos, espíritas e de religiões de matriz africana, a mensagem papal reforçou a urgência de transformar o discurso da paz em gestos concretos no cotidiano e na vida pública.

Assim, 2025 entrou para a história da Igreja como o ano que marcou o fim de um papado profundamente simbólico e o início de uma nova liderança, em meio a um cenário global marcado por conflitos, desigualdades e desafios éticos, nos quais o Vaticano segue buscando exercer influência moral e espiritual.

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