Tornado destruiu 90% de Rio Bonito do Iguaçu e levou à decretação de estado de emergência em novembro
O mês de novembro ficou marcado por uma das maiores tragédias climáticas da história recente do Paraná. Na noite de sexta-feira, dia 7, um tornado atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Sul do estado, provocando destruição em larga escala e levando o governo estadual a decretar estado de emergência para viabilizar ações imediatas de resposta e reconstrução.
Levantamento divulgado pela Defesa Civil indicou que cerca de 90% da área urbana do município sofreu danos na infraestrutura. O balanço confirmou seis mortes, centenas de feridos e pessoas que chegaram a ser consideradas desaparecidas nas primeiras horas após o fenômeno. Mais de mil moradores ficaram desalojados, sem condições de permanecer em suas casas, e passaram a depender de abrigos ou do apoio de familiares e amigos.
O fenômeno foi classificado como um tornado de categoria F3, com ventos que chegaram a aproximadamente 250 quilômetros por hora, conforme análise do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A força do tornado causou o colapso de residências, comércios, prédios públicos e estruturas industriais, além de provocar danos à malha viária e à rede elétrica, deixando parte da população sem energia.
Diante da gravidade da situação, o governador Carlos Massa Ratinho Junior decretou estado de emergência no município, medida que permitiu agilizar a liberação de recursos e a atuação dos órgãos estaduais e federais. À época, o governador classificou o ocorrido como uma catástrofe sem precedentes recentes no Paraná, destacando que grande parte da população havia perdido completamente suas moradias.
O sistema de saúde da região também foi impactado. O hospital de Laranjeiras do Sul, município vizinho, ficou sobrecarregado e atendeu mais de 200 pessoas nos dias seguintes ao tornado, incluindo pacientes com ferimentos graves. Equipes do governo estadual e federal foram enviadas à região para prestar apoio às vítimas e realizar os levantamentos técnicos necessários para a reconstrução.
Mesmo em meio ao cenário de destruição, moradores iniciaram a limpeza da cidade e os primeiros passos para recomeçar. Relatos de famílias atingidas revelaram o medo vivido durante o temporal, mas também destacaram a solidariedade da população e o apoio do poder público. Apesar das perdas materiais, muitos moradores enfatizaram que a preservação da vida foi o principal alívio após a tragédia.
Como parte das medidas adotadas após o decreto de emergência, o Governo do Estado destinou cerca de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública para auxiliar na reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu. Também foi encaminhado à Assembleia Legislativa um projeto de lei para permitir o repasse direto de recursos às famílias atingidas. A Cohapar, em conjunto com engenheiros do CREA-PR, realizou o levantamento dos prejuízos para orientar a aplicação dos investimentos.
O tornado registrado em novembro entrou para a história como um dos mais fortes já ocorridos no Brasil, especialmente por ter atingido uma área urbana. Especialistas alertaram, à época, que o episódio evidenciou a intensificação dos eventos climáticos extremos no país e as limitações dos sistemas de monitoramento e alerta. Meses depois, a tragédia segue sendo lembrada como um marco de dor, mas também de mobilização e reconstrução em Rio Bonito do Iguaçu.
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