Agressão contra Renato Freitas em novembro gerou repercussão política e investigações no Paraná

dezembro 29, 2025 - 09:36
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Agressão contra Renato Freitas em novembro gerou repercussão política e investigações no Paraná

 O mês de novembro também foi marcado por um episódio de violência envolvendo o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR), que foi agredido durante uma abordagem no Centro de Curitiba. Na ocasião, imagens que circularam nas redes sociais mostraram o momento em que o parlamentar foi atingido com um soco no rosto após uma discussão com um homem em via pública.

Os registros, feitos por testemunhas, indicaram que o confronto físico teve início após um desentendimento verbal. Segundo o relato do deputado à época, a abordagem começou alguns quarteirões antes, com provocações de cunho ideológico e racista. Renato Freitas afirmou que foi seguido pela Rua Vicente Machado, ao lado de outras pessoas, até que a situação evoluiu para a agressão. Nas imagens, foi possível observar o momento em que ele tentou se afastar antes de ser atingido e, na sequência, reagiu para imobilizar o agressor.

Após o episódio, o parlamentar foi encaminhado para atendimento médico, com suspeita de fratura no nariz. Ele registrou boletim de ocorrência e declarou publicamente que buscaria a responsabilização criminal do agressor, afirmando que o ataque esteve relacionado à sua atuação política e à sua condição racial.

O caso teve desdobramentos dentro da Assembleia Legislativa do Paraná. A Alep informou, naquele período, que recebeu quatro representações por suposta quebra de decoro parlamentar relacionadas ao episódio. Em nota, a Casa explicou que situações dessa natureza eram analisadas pelo Conselho de Ética, a partir de representações formais e da avaliação preliminar de materiais como vídeos e depoimentos de testemunhas.

Entre as representações recebidas, uma foi protocolada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que pediu a cassação do mandato de Renato Freitas. O movimento sustentou que o episódio configuraria quebra de decoro parlamentar e solicitou ampla divulgação do caso, além de reconhecimento como parte interessada no processo. A Assembleia informou que os pedidos seriam analisados conforme o rito interno.

O episódio ocorreu em um contexto de histórico de embates envolvendo o deputado. Em fevereiro, Renato Freitas havia recebido advertência verbal do Conselho de Ética após desentendimento em plenário. Em julho, o mesmo conselho aprovou a suspensão de suas prerrogativas parlamentares por 30 dias, decisão que foi posteriormente revertida pelo Tribunal de Justiça do Paraná, por falhas no processo. Também estavam em tramitação outras representações relacionadas a protestos ocorridos na Assembleia em 2024, que ainda aguardavam análise definitiva.

Paralelamente aos desdobramentos internos, a Polícia Civil iniciou a apuração para identificar o agressor e esclarecer as circunstâncias da violência, incluindo a possível motivação racial e ideológica apontada pelo parlamentar. A Procuradoria da Alep encaminhou os vídeos à Corregedoria para análise.

O caso também gerou manifestações públicas de partidos e movimentos sociais. O PT Paraná divulgou nota de repúdio à agressão, afirmando que o episódio se inseriu em um cenário de ataques recorrentes a lideranças negras no estado. O PCdoB Paraná também se posicionou, classificando o caso como expressão do avanço do extremismo político e destacando o papel do racismo como elemento estruturante da violência.

Além disso, uma nota conjunta assinada por 16 entidades de defesa dos direitos humanos manifestou solidariedade ao deputado, ressaltando que a agressão representou não apenas um ataque individual, mas uma afronta à democracia, à liberdade de expressão e à representatividade política no Paraná.

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