Reuniões secretas entre autoridades dos EUA e Brasil prepararam encontro entre Trump e Lula
Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump mantiveram contatos reservados para viabilizar o primeiro encontro presencial entre os dois presidentes, realizado na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, no dia 23.
As reuniões envolveram autoridades de alto escalão, com aval direto de Lula e Trump. O vice-presidente Geraldo Alckmin conversou por videoconferência com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, em 11 de setembro. Poucos dias depois, o chanceler Mauro Vieira recebeu no Rio de Janeiro Richard Grenell, enviado especial do ex-presidente americano.
As conversas ocorreram longe dos registros oficiais. Não houve notas, fotos ou inclusão em agendas. A estratégia era clara: evitar resistência de setores contrários à aproximação, especialmente de bolsonaristas ligados ao deputado Eduardo Bolsonaro, que tentaram sabotar os contatos junto ao movimento MAGA.
Nos bastidores, a percepção é de que Eduardo perdeu espaço. Seu alinhamento ao trumpismo e a tentativa de justificar atos golpistas no Brasil reduziram sua relevância em Washington. Para diplomatas, o filho do ex-presidente passou a ser visto como obstáculo, e não como ponte. Enquanto ele defendia uma agenda utópica de reaproximação via extrema direita, o governo brasileiro manteve diálogo pragmático, sem grandes traumas após a condenação de Jair Bolsonaro. O país seguiu seu curso institucional, enfraquecendo de vez o discurso de Eduardo.
A aproximação entre Lula e Trump foi costurada em meio ao julgamento que condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Nos diálogos, Brasília buscou reduzir riscos de retaliações comerciais, já que os EUA discutiam tarifas extras ao Brasil. O Mdic preparou documentos internos indicando estratégias para preservar setores-chave caso houvesse novas sanções.
Na prática, a suposta “surpresa” do encontro entre Lula e Trump foi resultado de uma coreografia planejada. Trump chegou antes ao plenário e assistiu ao discurso de Lula. O petista, por sua vez, seguiu por uma rota que aumentava a chance de cruzar com o republicano. Ambos não criaram obstáculos, permitindo que a interação ocorresse naturalmente diante das câmeras.
Os contatos reservados também envolveram missões empresariais e parlamentares em Washington, além da atuação de lobistas e executivos como Joesley Batista, que mantém forte presença nos EUA. Essas iniciativas ajudaram a abrir espaço político e reduzir tensões, especialmente após a prisão domiciliar de Bolsonaro em julho, que havia congelado parte do diálogo.
A operação diplomática incluiu ainda encontros discretos entre Vieira e autoridades americanas fora de espaços oficiais, sinalizando que o Brasil não buscava confronto. Lula destacou, por exemplo, o distanciamento de Maduro e a recusa em aderir à Nova Rota da Seda chinesa, reforçando uma postura equilibrada no cenário internacional.
O resultado foi o início de uma reaproximação estratégica com Washington e, ao mesmo tempo, a sinalização de que figuras ligadas ao bolsonarismo radical perderam espaço.
Eduardo Bolsonaro, que tentou se posicionar como interlocutor privilegiado de Trump, acabou isolado. A cena de Lula e Trump dividindo o mesmo ambiente na ONU mostrou que a diplomacia oficial superou os ruídos e que o Brasil seguiu adiante mesmo após a ofensiva golpista de 2022.
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