Segurança viária em segundo plano: EPR Litoral Pioneiro é alvo de críticas após mortes em rodovias sob concessão
Enquanto a população do litoral do Paraná enfrenta tragédias recorrentes nas rodovias, a EPR Litoral Pioneiro, concessionária responsável por trechos como a BR-277 e PR-508, segue dando respostas genéricas e prazos longos a demandas urgentes por segurança. Dois episódios recentes escancararam o descaso: o atropelamento fatal de um motociclista em Paranaguá e a negativa de urgência para a instalação de passarelas em Morretes, onde outro pedestre também perdeu a vida.
Na quinta-feira, 15 de maio, Márcio Rodrigo Moreira Esser, de 50 anos, morreu após um acidente no km 7 da PR-508, entre Alexandra e Matinhos. A colisão envolveu duas motocicletas e um carro. Mesmo após se levantar da queda, Esser foi atropelado por um Fiat Siena. O motorista não teria conseguido enxergar a vítima a tempo de evitar a tragédia. A Polícia Rodoviária Estadual investiga as circunstâncias, mas o caso reacende o debate sobre as condições precárias da via e a ausência de medidas preventivas por parte da concessionária.
O acidente repercutiu na sessão da Câmara Municipal de Paranaguá nesta segunda-feira, onde o vereador Chiquinho pediu o comparecimento da EPR Litoral Pioneiro para prestar esclarecimentos. A preocupação do parlamentar reflete o sentimento de abandono sentido por moradores que utilizam diariamente essas rodovias, muitas vezes sem iluminação, sinalização adequada ou estruturas mínimas de segurança.
A situação também é crítica em Morretes. No mês em que campanhas como o Maio Amarelo buscam conscientizar a população sobre segurança no trânsito, a resposta da concessionária a um pedido de socorro da vereadora Samira Domiciano (PSD) foi desanimadora. Em março, ela solicitou a construção urgente de passarelas nos km 24 e 36 da BR-277, em pontos onde moradores cruzam a pista para acessar escolas e serviços de saúde. A EPR informou que a obra está prevista para 2030, dentro do sexto ano do contrato de concessão iniciado em 2023.
“O que recebemos foi um cronograma frio, sem nenhuma sensibilidade diante das mortes que já aconteceram aqui”, criticou Samira. A cobrança ganhou força após a morte de Ivan Cordeiro Bezerra, atropelado no km 40 da mesma rodovia, em abril.
A empresa afirma que os projetos ainda estão em fase de elaboração e vinculados a dispositivos viários mais complexos. No entanto, a explicação técnica não satisfaz quem convive com o risco diariamente.
Qual é a sua reação?