Tarcísio radicaliza discurso, ataca o STF e reforça movimento por anistia a Bolsonaro
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) ao participar de um ato bolsonarista na avenida Paulista neste domingo (7). Em discurso, chamou o ministro Alexandre de Moraes de “ditador” e “tirano”, acusou a Corte de perseguição e defendeu uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A postura marca uma guinada na trajetória política de Tarcísio, que até recentemente buscava se apresentar como gestor técnico e moderado. Ao adotar ataques diretos ao STF e ao se alinhar ao discurso mais radical do bolsonarismo, o governador se coloca como herdeiro natural de Bolsonaro e tenta garantir espaço numa eventual corrida presidencial em 2026.
Ao questionar decisões judiciais e sugerir perseguição sem apresentar provas, Tarcísio não apenas reforça a narrativa da ala mais radical da direita, como também contribui para desgastar a relação entre os poderes. O ataque pessoal a um ministro da Suprema Corte repete a estratégia usada por Bolsonaro, que buscava mobilizar apoiadores contra instituições democráticas.
A movimentação pela anistia, defendida por Tarcísio e outros aliados de Bolsonaro, ainda não tem consenso no Congresso. A proposta, além de fragilizar a responsabilização por atos antidemocráticos, é vista por analistas como uma manobra para abrir caminho eleitoral. A ideia é livrar Bolsonaro das ações penais em curso sem mexer na inelegibilidade, o que preservaria seu papel de liderança simbólica, mas transferiria para Tarcísio a viabilidade eleitoral.
Apesar de buscar se firmar como sucessor de Bolsonaro, Tarcísio enfrenta resistências dentro do próprio campo bolsonarista. Os filhos do ex-presidente o acusam de oportunismo e de tentar se beneficiar do desgaste político do pai. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram Eduardo Bolsonaro criticando o governador por “ficar de braços cruzados” enquanto o ex-presidente enfrenta processos.
A intensificação da agenda política de Tarcísio — encontros com empresários, artistas e lideranças religiosas — deixa cada vez mais evidente sua preparação para uma candidatura presidencial. O presidente Lula (PT), em declarações recentes, já o projetou como adversário em 2026, mas relativizou sua força política sem o apoio de Bolsonaro.
Enquanto isso, o debate sobre a anistia avança no Congresso com apoio expressivo de setores do centrão. Se aprovada, a medida pode significar um enfraquecimento da responsabilização judicial e um retrocesso no enfrentamento a ataques contra a democracia.
Mais do que um gesto de lealdade, a defesa de Tarcísio pela anistia expõe um cálculo eleitoral: proteger Bolsonaro o suficiente para manter sua base mobilizada, mas sem devolver-lhe a possibilidade de concorrer. A radicalização de seu discurso aponta que o governador já não se limita a gerir São Paulo — está em plena campanha nacional.
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