Vira-latismo à vista: bolsonaristas erguem bandeira dos EUA em ato pró-anistia no 7 de setembro

Setembro 8, 2025 - 16:36
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Vira-latismo à vista: bolsonaristas erguem bandeira dos EUA em ato pró-anistia no 7 de setembro

O ato da direita em defesa da anistia a Jair Bolsonaro (PL) e a seus aliados, realizado neste domingo (7), em São Paulo, escancarou uma contradição simbólica: em pleno Dia da Independência do Brasil, manifestantes estenderam uma enorme bandeira dos Estados Unidos na avenida Paulista.

A cena, registrada por drones e celebrada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foi apresentada como um gesto de “agradecimento” ao ex-presidente Donald Trump, por supostas pressões internacionais contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O gesto, porém, levantou críticas sobre o chamado “vira-latismo político”, marca de uma parte do bolsonarismo que recorre a símbolos estrangeiros mesmo ao falar em patriotismo.

— Que ironia! Os que se dizem patriotas carregam bandeiras dos EUA e de Israel em suas manifestações. Mas patriota de verdade é quem ergue a bandeira do Brasil, quem defende nossa soberania, nossa democracia e o direito do nosso povo decidir o próprio futuro — reagiu o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

A exibição da bandeira americana expõe um paradoxo: aqueles que se autointitulam defensores intransigentes da pátria colocaram o símbolo de outro país acima da bandeira nacional em uma data que deveria celebrar a autonomia brasileira. O gesto é lido por críticos como submissão simbólica a interesses externos, num contexto em que a palavra “patriotismo” tem sido usada de forma seletiva, muitas vezes contra as próprias instituições do país.

Neste ano, governo e oposição travaram uma batalha de narrativas no feriado da Independência. Enquanto aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram às ruas defender soberania nacional e criticar medidas impostas pelos EUA, a oposição aproveitou a data para reforçar críticas ao STF e pedir anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.

O contraste entre os dois discursos deixou ainda mais evidente a inversão de valores: de um lado, o governo defendendo a bandeira brasileira diante de pressões externas; do outro, opositores levantando a bandeira de outro país como símbolo de “liberdade”.

O episódio da bandeira americana sintetiza um fenômeno recorrente no bolsonarismo: a apropriação do discurso patriótico enquanto se rende a símbolos externos. Mais do que uma manifestação de apoio a Trump, o ato revela um complexo de vira-lata que coloca outro país como referência de liberdade e democracia, justamente no dia em que o Brasil deveria afirmar sua própria independência.

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