Voz do Trabalhador – Centrais sindicais criticam Congresso por barrar MP que previa taxação dos super-ricos e das bets
As principais centrais sindicais do país divulgaram nesta quinta-feira (9) uma nota conjunta criticando a decisão da Câmara dos Deputados de não apreciar a Medida Provisória (MP) 1303/2025, que previa a taxação de bancos, casas de apostas e grandes fortunas. Para os representantes dos trabalhadores, o recuo do Congresso representa uma vitória dos setores mais ricos e um golpe contra a justiça social no Brasil.
A MP, encaminhada pelo governo federal, buscava aumentar a arrecadação de forma progressiva, cobrando mais de quem tem maiores lucros e rendimentos — especialmente bancos, plataformas de apostas online e bilionários que vêm acumulando ganhos recordes nos últimos anos. O objetivo era reforçar o orçamento público sem afetar os programas sociais e os investimentos em políticas públicas voltadas à população de baixa renda.
Na avaliação das centrais, o Congresso “virou as costas para o povo” ao se recusar a debater a medida. A nota afirma que, ao rejeitar discutir o tema, os parlamentares “anteciparam o pleito eleitoral de 2026” e colocaram “a política acima do interesse nacional”.
Assinam o documento os presidentes da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB, que representam milhões de trabalhadores em todo o país. Para as entidades, o conteúdo da MP era justo e necessário para combater a desigualdade social e reduzir a concentração de renda.
“Os trabalhadores e trabalhadoras deste país não aceitarão que, mais uma vez, a conta recaia sobre os ombros de quem trabalha”, afirmam as lideranças sindicais na nota. “A conta deve ser paga por quem tem privilégios, com o corte de supersalários e das emendas parlamentares sem interesse público”, completam.
O texto divulgado pelas centrais reforça que a falta de coragem política em enfrentar os interesses dos grandes grupos econômicos compromete o desenvolvimento do país e ameaça o financiamento de áreas essenciais, como saúde, educação e moradia.
As entidades lembram que a proposta de taxação segue uma tendência adotada por vários países para equilibrar as contas públicas sem penalizar os mais pobres. A MP 1303, se aprovada, colocaria o Brasil entre as nações que cobram impostos sobre lucros extraordinários de bancos e plataformas digitais, um modelo já em vigor em partes da Europa e América Latina.
A decisão da Câmara também foi interpretada pelos sindicalistas como um ato de revanchismo político. O documento menciona o episódio da chamada “PEC da Blindagem”, rejeitada após pressão popular, e aponta que o Congresso “optou novamente por proteger os poderosos em detrimento da justiça social”.
As centrais sindicais afirmam que seguirão mobilizadas pela aprovação de medidas que façam os mais ricos contribuírem de forma proporcional.
“O Brasil precisa de coragem e compromisso com o povo — não de submissão diante do poder econômico”, conclui a nota.
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