Voz do Trabalhador – CUT repudia sobretaxa imposta pelos EUA e defende soberania e empregos no Brasil
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifestou, por meio de nota oficial divulgada nesta semana, forte repúdio à decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 50% sobre as exportações brasileiras. Segundo a entidade, a medida afeta diretamente setores estratégicos da economia nacional, como alimentos, aviação e aço, com reflexos negativos para milhares de trabalhadores brasileiros.
De acordo com análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a imposição das novas tarifas deve provocar impactos significativos nas cadeias produtivas brasileiras, comprometendo empregos e a renda de diversas categorias profissionais. A CUT classifica a decisão norte-americana como “arbitrária e unilateral”, colocando o Brasil como o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.
A central sindical também criticou o ex-presidente Donald Trump, possível candidato republicano nas eleições presidenciais de 2024, que justificou a sobretaxa como uma retaliação à suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil. Para a CUT, a medida representa um uso político do comércio internacional, agravado pela atual inoperância de instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ainda segundo a nota, os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil desde 2009, o que contradiz o argumento de prejuízo alegado por Trump. A CUT afirma que a retaliação está ligada, na prática, à tentativa brasileira de regulamentar as grandes plataformas digitais — as chamadas Big Techs —, o que teria motivado a resposta econômica por parte do governo norte-americano.
A entidade também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por não se posicionar contra a sobretaxa. De acordo com a CUT, o governador, aliado do ex-presidente Bolsonaro e defensor público de Trump, preferiu atacar o governo federal em vez de defender os interesses econômicos do estado de São Paulo, diretamente afetado pela nova medida tarifária.
Como resposta ao cenário, a CUT defende que o Brasil adote uma postura firme e articulada no campo econômico e diplomático. Entre as propostas estão a ampliação da presença em novos mercados internacionais, estímulos à produção nacional, políticas de reindustrialização, investimentos em soberania tecnológica e geração de empregos de qualidade.
A nota conclui reafirmando o compromisso da entidade com a defesa da soberania nacional, da democracia e dos direitos da classe trabalhadora. “Seguiremos vigilantes e mobilizados”, afirma a CUT, destacando a necessidade de resistir a medidas que, segundo a central, colocam em risco o futuro econômico e social do país.
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