Voz do Trabalhador – Greve de trabalhadores portuários bloqueia portos na Itália em solidariedade à Palestina
A crise humanitária em Gaza ganhou um novo capítulo de repercussão internacional com forte protagonismo do movimento sindical italiano. Nesta segunda-feira (22), trabalhadores portuários e sindicatos realizaram uma greve nacional contra os ataques israelenses, bloqueando importantes portos do país e paralisando parte do transporte público e de setores estratégicos.
A mobilização contou com forte adesão dos estivadores, que declararam estar tentando impedir que a Itália seja utilizada como ponto de trânsito para armas e suprimentos militares destinados a Israel. Os bloqueios atingiram cidades como Gênova, Livorno, Trieste e Veneza, onde a polícia chegou a usar canhões de água para dispersar manifestações.
O movimento, organizado por sindicatos e coletivos de trabalhadores, denuncia os “assassinatos em massa” de palestinos e busca dar uma resposta política a partir da classe trabalhadora. Ricky, integrante do Coletivo Autônomo de Trabalhadores Portuários, resumiu o espírito da greve:
“O povo palestino continua a nos dar uma lição de dignidade e resistência. Nós aprendemos com eles e tentamos fazer a nossa parte.”
A paralisação nacional foi acompanhada por grandes protestos em várias cidades italianas. Em Roma, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas, bloqueando vias importantes. Já em Milão, a manifestação terminou em confronto: a polícia usou gás lacrimogêneo e equipamento anti-motim para dispersar os atos, enquanto manifestantes reagiram quebrando vidraças e arremessando objetos. Pelo menos dez pessoas foram presas e 60 policiais ficaram feridos, segundo a agência ANSA.
Em Nápoles e Bolonha também houve confrontos, com fechamento de rodovias e invasão de trilhos ferroviários, o que gerou atrasos e suspensão temporária de serviços. Escolas e parte do transporte público foram afetados pela greve, ampliando o impacto da mobilização.
A primeira-ministra Giorgia Meloni, defensora da aliança italiana com Israel, criticou duramente a paralisação e os atos de rua, chamando-os de “violência sem sentido” e afirmando que os trabalhadores e manifestantes “não mudarão a realidade em Gaza, mas causarão prejuízos concretos aos cidadãos italianos”.
Para além do protesto político, a greve revelou a força da organização sindical entre os portuários italianos, historicamente ativos em lutas contra guerras e exportação de armas. A paralisação dos estivadores não foi apenas simbólica: ao interromper atividades em pontos estratégicos, os trabalhadores deram visibilidade internacional ao conflito e colocaram em debate o papel da Itália no fornecimento logístico para Israel.
A ação também reforça a tradição da classe trabalhadora europeia de usar a greve como ferramenta não só de defesa de direitos, mas de posicionamento político e humanitário.
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