Voz do Trabalhador – “Jornada 5×2 com 40 horas é passo fundamental para tornar o Brasil menos desigual”, afirma Adilson Araújo
Em entrevista ao jornal Hora do Povo, o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, afirmou que a possibilidade de avanço no fim da jornada 6×1 e na redução da carga semanal para 40 horas é resultado da mobilização do movimento sindical e popular, somada ao apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo ele, o debate ganhou maior força quando passou a contar com respaldo do governo federal, o que contribuiu para que parte do Congresso Nacional colocasse em pauta a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui a escala 5×2 e estabelece a jornada semanal de 40 horas.
Para a CTB, a redução da jornada é uma prioridade estratégica e integra uma luta histórica da classe trabalhadora contra a exploração do trabalho. Adilson relembrou mobilizações internacionais que marcaram a defesa de melhores condições laborais, como a greve das operárias têxteis em Nova York, em 1857, e a mobilização dos trabalhadores de Chicago pela jornada de oito horas, que deram origem ao 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, e ao 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora.
No Brasil, a redução da jornada teve como marco a Constituição de 1988, que fixou a carga semanal em 44 horas. Desde então, o movimento sindical defende o avanço para 40 horas semanais. A proposta chegou a ser discutida em 2011, mas não avançou por falta de apoio suficiente no Congresso.
“O essencial é reduzir a jornada. Garantir a escala 5×2 com 40 horas semanais já será uma grande conquista”, afirmou Adilson.
O dirigente também contestou o argumento de que a redução da jornada poderia provocar queda na produtividade ou aumento do desemprego. Ele citou exemplos de países que adotam cargas horárias menores e mantêm bons índices de produtividade, defendendo que ambientes de trabalho mais saudáveis tendem a melhorar o desempenho, reduzir doenças ocupacionais e acidentes, além de favorecer a geração de empregos.
De acordo com ele, a diminuição da jornada poderia gerar mais de dois milhões de novas vagas. Adilson ressaltou ainda que a maioria dos trabalhadores brasileiros recebe até R$ 3.500 e que o País apresenta índices elevados de acidentes de trabalho, fatores que, segundo ele, reforçam a necessidade da mudança.
O presidente da CTB argumenta que a redução da jornada, aliada à valorização salarial e à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil, pode fortalecer o mercado interno, ampliar o consumo das famílias e estimular o crescimento econômico.
Ele também defendeu um projeto nacional de desenvolvimento com foco na neoindustrialização, na retomada da indústria naval, no fortalecimento da engenharia nacional e na ampliação do uso de energias limpas e renováveis, com geração de empregos de qualidade.
Para a entidade, harmonizar a redução da jornada com a escala 5×2 representa um passo importante para promover um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e menos desigual no Brasil.
Qual é a sua reação?