Voz do Trabalhador – Ministra do TST critica escala 6x1 e alerta para retrocessos após reforma trabalhista
A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Miranda, defendeu a necessidade de revisão da jornada de trabalho 6x1 e fez duras críticas às distorções criadas pela reforma trabalhista no Brasil. Para ela, o modelo que prevê seis dias seguidos de trabalho para apenas um de descanso não atende mais às necessidades da sociedade e contribui para a precarização das relações de emprego.
Segundo a magistrada, a redução da jornada traria impactos positivos diretos para a vida dos trabalhadores e para a economia. “A redução da jornada traria o benefício de criar mais empregos, além de permitir que o trabalhador possa se qualificar melhor, dedicar mais tempo à família e ao lazer. A gente não pode pensar em um trabalhador que viva apenas para o trabalho”, afirmou.
Com longa trajetória de defesa da Justiça do Trabalho — e experiência pessoal como ex-empregada doméstica antes de se formar advogada —, Delaíde Miranda chamou atenção para a persistência do trabalho análogo à escravidão no país. Ela destacou que muitos dos casos de exploração são encontrados em empresas terceirizadas contratadas por grandes multinacionais.
“Eu acompanho muito as deflagrações do Ministério Público do Trabalho nas questões de resgate de trabalho escravo. E entendo que, no fundo, é uma questão de lucro. Por quê? Onde se detecta mais? Nas empresas terceirizadas por grandes multinacionais”, explicou.
A ministra lembrou que a prática tem raízes históricas e, mesmo após séculos do fim oficial da escravidão, ainda se repete em novas formas de exploração laboral.
Outro ponto levantado por Delaíde foi a “fuga” da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incentivada por setores empresariais desde a reforma trabalhista de 2017. Ela avalia que há um movimento organizado para deslegitimar a Justiça do Trabalho e enfraquecer a proteção dos trabalhadores.
“Existe uma grande desinformação. Para mim, isso tudo faz parte de um grande movimento liderado pelas grandes empresas no sentido de dizer: ‘isso aí está fora de moda, não precisa de Justiça do Trabalho nem de vínculo’”, alertou.
Para a ministra, discutir novos modelos de jornada e combater a precarização não são apenas pautas trabalhistas, mas também sociais, já que dizem respeito à qualidade de vida, ao equilíbrio econômico e ao combate às desigualdades no Brasil.
Qual é a sua reação?