Voz do Trabalhador – PM ataca trabalhadores e agride líder sindical idoso ao reprimir greve de metalúrgicos no PR
A Polícia Militar do Paraná (PMPR) atacou trabalhadores da Brose do Brasil, uma multinacional fabricante de peças automotivas, durante um ato grevista em frente à sede da empresa em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, nesta quarta-feira (4/2).
Policiais foram filmados espirrando spray de pimenta no rosto dos manifestantes, incluindo mulheres, quando não havia ameaça aos agentes. Os militares também foram gravados agredindo com um mata-leão e algemando pelas costas um dirigente sindical idoso, que, deitado, não reagia à detenção.
A PM protagonizou as agressões quando o ato ocupava a Rua Max Brose, uma pequena alça da Avenida Volkswagen Audi que serve exclusivamente de acesso à Brose, nos arredores de São José dos Pinhais. Trabalhadoras atacadas pela PMPR precisaram receber socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) devido aos efeitos do spray de pimenta.
O dirigente sindical detido com violência na ocasião é Nelson Silva de Souza, de 60 anos. Além de ser vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), à frente do movimento grevista, ele é conhecido no Paraná por sua atuação como político. Em 2008, foi eleito vereador de Campo Largo, também no entorno de Curitiba, pelo MDB. Já em 2022, foi candidato a deputado estadual pelo PT.
O portal A Ponte questionou a PMPR sobre o motivo das agressões e da detenção do líder sindical, entre outras coisas. Em nota encaminhada, a corporação alegou que Nelson teria desacatado policiais na altura em que tentavam desbloquear a entrada da empresa.
“O indivíduo não acatou a ordem policial para liberação da entrada, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelos crimes de Desacato, Atentado contra a Liberdade de Trabalho (art. 197 do Código Penal) e Resistência à Prisão”, comunicou a PMPR, segundo a qual os grevistas teriam impedido a passagem de cerca de 30 funcionários da Brose.
O sindicato afirma que a PMPR foi convocada ao local pela multinacional. A empresa tem adotado práticas antissindicais e usado da força policial para oprimir trabalhadores, ainda segundo a entidade sindical. “Trabalhadores estão sofrendo pressão e assédio desde o início das mobilizações. O Sindicato tem tido dificuldade para realizar assembleias devido a frequente intervenção policial”, divulgou o SMC.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifestou apoio a Nelsão da Força, como o dirigente detido é conhecido, e repudiou a conduta da PMPR. “As agressões e a consequente detenção do companheiro Nelsão configuram, novamente, a dificuldade da gestão de Ratinho Júnior e de parte do empresariado paranaense em lidar com o contraditório e negociar avanços sociais”, comunicou.
O PT no Paraná também se manifestou. “Não é papel da Polícia Militar, em hipótese alguma, o uso da força e da violência contra trabalhadores que estão exercendo seu direito legítimo de greve e manifestação”, escreveu, em nota. “O Setorial do PT cobra a imediata libertação de Nelsão da Força, o afastamento dos policiais que participam da ação violenta e uma resposta tanto da Secretaria da Segurança Pública do Paraná quanto do governador Carlos Massa Ratinho Júnior.”
Os trabalhadores da Brose entraram em greve na quarta-feira anterior (28/1). De acordo com o SMC, eles recebem, em média, R$ 2,5 mil de salário, além de um vale-mercado de R$ 500. A multinacional não paga Participação de Lucros e Resultados (PLR) aos funcionários, o que eles reivindicam com a greve.
Os grevistas pedem também uma correção salarial equivalente à varição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acrescida de um aumento real de 2,5%. Também solicitam a equiparação do vale-mercado ao de empresas do mesmo segmento e uma discussão sobre a jornada de trabalho.
Além da PMPR, a Ponte procurou a Brose do Brasil, o Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) e o Ministério Público paranaense (MPPR) mas não obteve respostas.
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