Voz do Trabalhador – Sindicatos de Paranaguá se articulam contra o PL 733/2025 e discutem criação de Fórum Sindical
Lideranças sindicais de diversas categorias se reuniram em Paranaguá na última quinta-feira (5) para debater os impactos do Projeto de Lei nº 733/2025, que propõe mudanças no Marco Regulatório dos Portos (Lei 12.815/2013). O encontro, organizado pela Frente Intersindical de Paranaguá, foi coordenado por João Fernando da Luz, presidente do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá e Pontal do Paraná (Sindestiva) e também da Intersindical.
O evento ocorreu na sede do Sindicato dos Vigias Portuários e teve a participação de representantes de diversos sindicatos, entre eles o Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga (CONFEPAR), Sindicato dos Trabalhadores Marítimos (SETTAPAR), Sindicato dos Portuários (Sintraport), Sindicato dos Arrumadores, APP Sindicato, Sindicato dos Químicos, Sindicato dos Metalúrgicos e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
Durante o encontro, Guilherme de Campos, assessor da deputada estadual Ana Júlia (PT), reforçou o apoio da parlamentar à realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) para discutir o PL. A proposta da audiência é ampliar o debate sobre os riscos e consequências que o projeto pode trazer para os trabalhadores portuários e avulsos (TPAs).
Além da mobilização contra o PL, os sindicatos também debateram a criação de um Fórum Sindical de Paranaguá, que deve ser formalizado nas próximas semanas. A proposta é estabelecer um espaço permanente de articulação e mobilização entre as entidades sindicais da cidade. Entre as primeiras ações previstas estão panfletagens, atos públicos, visitas a parlamentares e a construção de uma agenda coletiva de atividades.
Para os representantes sindicais, o PL 733 representa uma ameaça ao modelo público-portuário, podendo abrir caminho para a precarização das relações de trabalho e para a privatização dos serviços portuários. A crítica central é que o projeto atende prioritariamente aos interesses do capital privado, em detrimento dos direitos dos trabalhadores.
A reunião também foi marcada por um sentimento de reconstrução da unidade sindical em Paranaguá. Os dirigentes reconheceram que o movimento já foi referência nacional e defenderam a retomada de sua força por meio da união das entidades, formação política e diálogo com a sociedade. A intenção é ampliar a articulação com centrais sindicais, parlamentares e movimentos sociais para proteger conquistas históricas dos trabalhadores.
Durante o encontro, o presidente da CTB no Paraná, Alexandre Húngaro, destacou que a luta sindical não deve se limitar a resistir a projetos como o PL 733. Segundo ele, é preciso defender pautas mais amplas, como a redução da jornada de trabalho, isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação de grandes fortunas.
Como próximo passo, os sindicatos vão intensificar a mobilização em torno da audiência pública na ALEP. Também está prevista a participação das entidades no Congresso Estadual da CTB, nos dias 10 e 11 de junho, em Curitiba. O evento deve consolidar estratégias de resistência e reforçar o vínculo entre sindicatos de base e centrais sindicais.
A união das entidades em Paranaguá marca um novo momento para o movimento sindical local, que busca fortalecer a luta por dignidade, melhores condições de trabalho e desenvolvimento econômico para a cidade.
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