Na última terça-feira, trabalhadores portuários e lideranças sindicais se reuniram em Itajaí para debater os impactos do Projeto de Lei nº 733/2025, que propõe mudanças no marco regulatório do setor portuário e está em tramitação na Câmara dos Deputados. O encontro contou com a participação do superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos, da deputada federal Ana Paula Lima e de representantes sindicais de diversas categorias, reforçando a preocupação com os efeitos da proposta sobre direitos históricos dos trabalhadores.
A reunião reuniu sindicatos que atuam nos portos de Itajaí, São Francisco do Sul e Imbituba e destacou a importância da articulação da classe trabalhadora diante de um projeto que pode impactar todo o sistema portuário brasileiro. As mudanças previstas no PL 733/2025 atingem diretamente o modelo de trabalho nos portos e podem ter reflexos em diferentes regiões do país, inclusive em Paranaguá, onde milhares de trabalhadores dependem do atual formato de organização portuária para garantir renda, estabilidade e segurança jurídica.
Entre os principais pontos discutidos estiveram as possíveis alterações nas regras de contratação, os impactos sobre o trabalho portuário avulso, mudanças no papel do OGMO e os riscos de precarização das relações de trabalho. Os trabalhadores ressaltaram que a modernização dos portos não pode significar perda de direitos, redução de renda ou enfraquecimento das garantias construídas ao longo de décadas de organização sindical.
Durante o encontro, João Paulo Tavares Bastos reafirmou o compromisso institucional do Porto de Itajaí com os trabalhadores portuários, destacando que o desenvolvimento do setor precisa caminhar junto com a valorização da mão de obra. Segundo ele, são os trabalhadores que garantem a operação, a segurança e o desenvolvimento econômico das cidades portuárias.
O presidente do Sindicato dos Estivadores de Itajaí, Sandro Vargas dos Santos, afirmou que o projeto afeta diretamente a vida da categoria e exige acompanhamento constante da tramitação no Congresso Nacional. Para ele, a atuação unificada dos trabalhadores é fundamental para defender direitos e assegurar a renda das famílias que dependem do trabalho portuário. Já o presidente da Intersindical dos Trabalhadores Portuários de Itajaí, Correio Júnior, destacou que o momento exige união entre os sindicatos para fortalecer a luta em defesa dos trabalhadores.
A deputada federal Ana Paula Lima ressaltou que o diálogo com a categoria é essencial para a atuação parlamentar e afirmou que as contribuições apresentadas na reunião vão orientar o posicionamento a ser defendido quando o projeto for votado em plenário. Segundo ela, o compromisso é garantir que os trabalhadores portuários possam continuar exercendo suas funções com direitos assegurados.
Participaram da reunião representantes dos Conferentes, Arrumadores, Estivadores, Consertadores e Vigias dos portos de Itajaí, São Francisco do Sul e Imbituba, além da Intersindical dos Trabalhadores Portuários de Itajaí. A mobilização reforça a importância do alinhamento da classe trabalhadora portuária em âmbito regional e nacional diante de um projeto que pode redefinir as relações de trabalho nos portos do Brasil.